05/08/2003 15h53 – Atualizado em 05/08/2003 15h53
A seca nas sub-regiões de Nhecolância, Paiaguás e Nabileque, no Pantanal, está provocando a morte da vegetação e de diversos animais. De acordo com o pesquisador da Embrapa Pantanal, José Aníbal Comastri, essa é a pior seca registrada nos últimos 29 anos.
Segundo ele, não chove no local há mais de dois meses. “Estamos com uma seca anormal, choveu menos do que deveria. A salvação na região está sendo os poços semi-artesianos e as dragas”, relata Comastri, explicando que os fazendeiros e todos os animais da região ainda conseguem se manter pela existência dessas alternativas para obtenção de água.
Conforme Comastri os animais silvestres, como os jacarés, capivaras, o gado e porcos estão sofrendo com a falta de água e comida. “Alguns animais chegam a roer o Acuri, uma espécie de Palmeira, para tentar contornar a fome. Outros buscam ainda restos dos peixes que sobraram. Eles estão morrendo com a seca, a água é que fomenta a alimentação deles”, relata, afirmando que a previsão, segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) é de que a seca se agrave.
As alternativas, segundo Comastri, para amenizar o problema consistem no investimento em estratégias que garantam água para parte do rebanho e do próprio pecuarista, como a perfuração de poços de draga, os semi-artesianos que levam água até as pilhetas (que são reservatórios artificiais de água) e a utilização de escavadeira em vazantes.
De acordo com Comastri, os animais têm utilizado a água nos poços de draga e até mesmo as dentro das pilhetas para matar a sede. Em alguns locais, uma pessoa cuida da pilheta para que os animais não utilizem toda a água.
Um outro cuidado nesse período, alerta o pesquisador, são os focos de incêndio espontâneos que se espalham pelas áreas com facilidade. “Vai ter que chover bastante para que a situação melhore. E mesmo assim, em algumas regiões as dificuldades vão continuar”, finaliza Comastri.
Fonte: RMT online




