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quinta-feira, 2 de julho de 2026

FGTS poderá ser usado para compra de ações na Bolsa

22/07/2003 09h43 – Atualizado em 22/07/2003 09h43

O senador Delcídio do Amaral (PT / MS) vai trabalhar pela aprovação do projeto-de-lei que permite ao trabalhador direcionar parte dos recursos depositados no Fundo de Garantia para a compra de ações de empresas privadas que captam recursos nas bolsas de valores.

Delcídio almoçou nesta segunda-feira na capital paulista com a diretoria da Bolsa de Valores de São Paulo e os presidentes das maiores corretoras de valores do país. A diretoria da BOVESPA convidou o parlamentar sul-mato-grossense para o encontro em função dos recentes discursos proferidos por Delcídio no Senado, onde ele defende a retomada do desenvolvimento a partir de investimentos em infra-estrutura, como a construção de portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e usinas termelétricas e hidrelétricas.

Durante o encontro, que durou cerca de 3 horas, o presidente da BOVESPA, Raimundo Magliano, garantiu a Delcídio que os investimentos dos trabalhadores terão um rendimento mínimo equivalente a oscilação da TR mais 3 % de juros ao ano, a mesma remuneração dada hoje aos depósitos no FGTS. O projeto que regulamenta a compra de ações com recursos do Fundo de Garantia tramita no Senado e atualmente está em exame na Comissão de Assuntos Econômicos, da qual o senador sul-mato-grossense faz parte. Se for aprovado, ele permitira que o trabalhador faça a opção de utilizar ou não parte do Fundo de Garantia para a compra de ações.

“É uma proposta muito boa que certamente vai ajudar o país a crescer, gerando mais empregos. Há cerca de dois anos, quando eu era diretor da Petrobrás, a empresa vendeu ações em Bolsa para os trabalhadores e o sucesso foi absoluto. Os próprios petroleiros resolveram entrar no negócio e estão satisfeitos com os lucros obtidos. Animada com a excelente resposta do mercado, a Companhia Vale do Rio Doce, logo em seguida, adotou o mesmo procedimento e o sucesso se repetiu. As empresas privadas precisam atrair acionistas para fazer mais caixa e investir na produção, seja através de novos negócios ou da ampliação dos já existentes. Captar recursos no mercado de ações, em qualquer país desenvolvido, é a melhor maneira delas se capitalizarem e, ao mesmo tempo, democratizarem os lucros”, afirmou Delcídio.

Retomada do Desenvolvimento

O senador sul-mato-grossense aproveitou a reunião com os dirigentes da BOVESPA e das corretoras para conversar também sobre as propostas que o Governo está preparando para retomar o desenvolvimento e que devem ser colocadas em prática até o final deste semestre. Uma das alternativas vem sendo negociada com o Fundo Monetário Internacional. A idéia é convencer os diretores do fundo a não considerarem como déficit nas contas publicas os investimentos feitos pelas empresas estatais.

“O FMI considera esses investimentos como prejudiciais as contas públicas e com isso as empresas ficam sem ter como investir, mesmo tendo dinheiro em caixa. A idéia é liberar as estatais para que elas retomem os investimentos em obras prioritárias e setores estratégicos como a energia, para fazer o Brasil voltar a crescer”, disse Delcídio.

O senador sul-mato-grossense defendeu também as chamadas Parcerias Público e Privado, através das quais o governo trabalhará de mãos dadas com o empresariado na execução de projetos de desenvolvimento.

“Os primeiros seis meses da administração do Presidente Lula serviram para domar a inflação e mostrar ao mundo o compromisso que o governo tem com a estabilidade da economia. Agora chegou o momento que eu considero a fase dois do governo, ou seja, é hora de retomar as grandes obras, para recolocar o Brasil nos rumos do desenvolvimento e gerar empregos. Caso contrário corremos o risco de entrar em um círculo vicioso de câmbio, inflação, juros altos e não saímos disso. O Brasil tem que ser um país empreendedor”, assegura Delcídio.

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