09/07/2003 19h44 – Atualizado em 09/07/2003 19h44
A cidade amanheceu nesta quarta-feira com mais notícias de criminalidade, resultante de porte ilegal de armas de fogo. Um comerciante, dono de um bar, no parque São Carlos, foi baleado pelo ex-marido de sua companheira. Num outro bairro da periferia da cidade, no jardim Capilé, uma criança com pouco mais de um ano de idade, por pouco também não se tornou mais uma vítima fatal da violência. O irmão de 15 anos de idade manuseava o revólver do pai e acidentalmente disparou na direção do rosto da criança. A bala, por sorte, passou de raspão e provocou apenas um pequeno e leve ferimento.
Comerciantes estão apavorados com o aumento da onda de assaltos, alguns em pleno dia, com requintes de brutalidades ameaçadoras.
Segundo foi constatado pela nossa Reportagem, parte dos assaltos a mão armada, não é sequer comunicada às autoridades competentes: “eu não vou perder o meu tempo indo à polícia, porque sei que não vai dar em nada”, dizia um comerciante, recentemente assaltado em seu estabelecimento, por dois jovens armados de revólver.
“Quando a gente chama, eles demoram a chegar. Quando a viatura chega, a bagunça já acabou e os malandros já fugiram. Algumas vezes já solicitei a PM por telefone e eles me disseram que estavam sem viatura e sem gasolina”, disse uma dona de casa, vizinha de um bar, no Parque São Carlos.
Ela vive constantemente atormentada por repetidos tiroteios e brigas nas imediações do bar.
Um outro chegou a dizer que o transtorno de quem é lesado chega a ser insuportável e que, no final, além de perder o que foi roubado ou furtado, ainda passa a ser ameaçado pelos malandros que passam a ser impunes.
Um morador de Vila Piloto também expressou sua indignação. Segundo ele, os policiais estão mais preocupados em autuar motoristas irregulares do que abordar e revistar suspeitos. “Faz anos que eu não vejo uma equipe de policiais fazerem uma abordagem e revista em suspeitos”, disse ele.
CRIMINALIDADE NÃO ACONTECE SOMENTE NOS BAIRROS
As confusões e a criminalidade, maioria resultado do consumo exagerado de bebidas alcoólicas e do uso e tráfico de drogas, não acontecem somente nos bairros da periferia da cidade, acontecem também no centro e nas imediações de salões de baile.
Nos finais de semana, na circular da Lagoa Maior, nas imediações do Velório Municipal, a falta de respeito por costumes, tradições e princípios religiosos já acabou há muito tempo, deixando indignadas as pessoas que velam seus entes queridos.
Na avenida Antônio Trajano dos Santos, entre a rua Monir Thomé e a rua Barão do Rio Branco, aonde se concentram lanchonetes e restaurantes, com expressivo movimento de famílias, a baderna também toma conta. O canteiro central da avenida é tomado por inescrupulosos jovens e vendedores ambulantes de bebidas alcoólicas, fazendo descarada concorrência com aqueles que pagam seus impostos e taxas.
Nestes casos, segundo a maioria das críticas da população, é que a PM, a quem compete o policiamento ostensivo e preventivo, nem sempre está presente nas imediações deste tipo de aglomeração de pessoal.
AUTORIDADES
Por sua vez, as autoridades competentes, a quem cabe zelar pela segurança da população, alegam sempre as mesmas razões, na tentativa de explicarem os motivos do acréscimo dos índices de violência.
Na Polícia Civil, segundo o delegado regional, Luiz Ricardo de Lara Dias, o problema da falta de viaturas foi recentemente solucionado. No entanto, tanto no 1º DP como no 2º DP, a maior dificuldade está na falta de pessoal. Esta também foi a causa dos problemas de atendimento apresentada pelo comandante do 2º BPM, tenente coronel Edson Alves Severino. Segundo ele, para um policiamento ostensivo e preventivo a contento das necessidades da área abrangente do 2º BPM, o número de pessoal deveria ser duplicado.
O delegado titular do 2ºDP, Vitor José Fernandes Lopes, além de citar também o problema do quadro reduzido ao extremo de pessoal, sugeriu a instalação de uma Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a exemplo do Estado de São Paulo. Na DIG, um delegado e uma equipe especializada em investigações, iria apurar todos os crimes de autoria desconhecida, aliviando assim o trabalho dos delegados dos Distritos Policiais, que poderiam dedicar-se a outras atividades.
Uma outra sugestão do delegado Vitor foi a criação de um Plantão Permanente de Polícia, na região central da cidade. Esta equipe, totalmente equipada de viaturas, armamento e de pessoal, ficaria encarregada pelo atendimento noturno e dos finais de semana.
Mas, enquanto estas idéias não são aceitas e nem levadas até em conta, a equipe de agentes de polícia civil do 2º DP tem que conviver com sérios problemas, entre eles a falta de uma carceragem adequada e até de material para trabalhar.
Apesar da anunciada informatização dos nossos distritos policiais, no 1º e no 2º DP este importante instrumento de trabalho ainda não existe. A morosidade em colher informações e dados pessoais de pessoas suspeitas, tolerada até há bem pouco tempo, ainda tem que ser suportada pelos nossos Agentes de Segurança.




