08/07/2003 08h37 – Atualizado em 08/07/2003 08h37
BRASÍLIA – O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, não conseguiu convencer os sindicatos a desistirem da greve geral convocada para esta terça-feira. Os líderes do movimento, que se reuniram com o ministro, disseram que está mantida a paralisação, que deve atingir de 40% a 50% dos servidores
federais, segundo cálculos das entidades de classe. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) e a Federação dos Servidores das Universidades (Fasubra), por exemplo, prometem uma paralisação de 72 horas e depois fazer uma assembléia de avaliação para decidir se continuam ou não a greve.
Os dirigentes sindicais tinham sido convocados para essa reunião de última hora pela Casa Civil, que se mobilizou para tentar evitar a greve. A paralisação será em protesto contra a reforma da Previdência proposta pelo governo.
José Vitório Zago, representante da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), informou que 32 das 52 universidades federais vão parar. Segundo ele, durante a semana os servidores das universidades que ainda não decidiram pela greve vão realizar assembléias para discutir o assunto. Zago disse ainda que a única razão que o fariam suspender a greve seria a retirada da pauta do Congresso da tramitação da proposta de reforma da Previdência.
Também confirmaram adesão à paralisação os líderes do Sindicato Nacional dos trabalhadores do IBGE, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (INSS), da Federação Nacional dos Fiscais da Previdência, da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Fenajufe), do Sindicato dos Servidores Públicos do Poder Legislativo (Sindilegis), e dos professores de primeiro e segundo graus dos colégios técnicos federais.
Mais cedo, Berzoini cancelou sua participação na primeira audiência pública da comissão que trata da reforma da Previdência, em Porto Alegre. A ausência do ministro foi muito criticada pelos servidores que foram à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), também foi alvo de protestos. Ele foi vaiado e chamado de traidor por cerca de 800 servidores federais que lotaram o plenário da Casa.



