07/07/2003 14h25 – Atualizado em 07/07/2003 14h25
Alastair Campbell, diretor de comunicações do gabinete do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi inocentado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a alegação de que ele manipulou um dossiê sobre o perigo oferecido pelo Iraque.
O relatório preparado por Campbell, entregue a Blair antes da ofensiva militar contra o Iraque, teria sido um fator decisivo para que o premiê adotasse a posição a favor da guerra.
Uma reportagem feita pela BBC relatou as declarações de um alto funcionário do serviço de inteligência de que o dossiê ficou mais “excitante” a pedido do governo.
A reportagem foi divulgada em maio e causou uma forte reação do governo.
Campbell exigiu, há alguns dias, uma desculpa formal por parte da BBC e foi defendido por Blair em uma entrevista do premiê ao jornal The Observer.
Interesses próprios:
A Comissão de Inquérito do Comitê de Assuntos Estrangeiros disse que o relatório mostrou confiança excessiva em dados de inteligência obtidos dos Estados Unidos e de exilados e desertores iraquianos.
O fato, por exemplo, de que esses iraquianos teriam seus próprios interesses ao dar informações, que aumentariam o temor de que o governo iraquiano representasse um perigo real para a Grã-Bretanha, teria sido ignorado.
A comissão também disse que ênfase excessiva foi dada a informações de que o Iraque poderia ativar armas de destruição em massa em 45 minutos.
O Comitê de Assuntos Estrangeiros disse ainda que deve continuar seus trabalhos de investigação nos próximos dois meses – averiguando, entre outras coisas, de onde vieram as informações sobre o Iraque usadas no dossiê entregue a Blair.
BBC:
Quanto à BBC, a comissão recomendou que a relação existente entre a empresa e os serviços de inteligência seja melhor investigada.
A empresa rejeitou as críticas de Campbell à reportagem sugerindo que o gabinete do primeiro-ministro maquiou o dossiê.
Em um comunicado, a BBC havia dito que não tinha nada sobre o que se desculpar e lamentou que Campbell tenha acusado o jornalista Andrew Gilligan, autor da reportagem, de ter mentido.
O editor-chefe da BBC News, Richard Sambrook, escreveu uma carta de nove linhas para Campbell recusando uma retratação e lamentando as acusações, que chamou de “vingança pessoal” contra Gilligan.
Campbell considerou a carta da BBC “ultrajante”.
Fonte: BBC Brasil




