14/05/2003 07h42 – Atualizado em 14/05/2003 07h42
BUENOS AIRES — O ex-presidente argentino Carlos Menem, apesar das declarações de seu assessor sobre sua renúncia, e quando todos esperavam que fosse confirmar que estava abandonando a corrida presidencial, apareceu na noite desta terça-feira diante de seguidores para dizer que ainda não se tinha definido a esse respeito.
Com os braços erguidos e a expressão séria, Menem encerrou uma jornada de incertezas e informações contraditórias com uma breve mensagem.
“Agradeço este ato de afeto e militância, e tenham a certeza de que não lhes vou decepcionar”, disse Menem. “Agora, peço-lhes que voltem tranqüilos para suas casas. Amanhã teremos novidades”.
Menem mandou ainda seu porta-voz Jorge Azcárate dizer que estava “analisando a situação” e que daria uma definição nesta quarta-feira.
Horas antes, um de seus principais assessores havia dito que o ex-presidente argentino decidira retirar sua candidatura à Presidência, abrindo o caminho para que o governador Néstor Kirchner seja o próximo presidente do país.
“Sim, sim, sim”, respondeu o ex-embaixador da Argentina nos Estados Unidos, Diego Guelar, quando os jornalistas lhe perguntaram se Menem havia decidido desistir da corrida presidencial.
Esperava-se que Menem anunciasse pessoalmente, no final da noite desta terça-feira, a decisão, faltando cinco dias para a realização do segundo turno das eleições presidenciais na Argentina. Mas o ex-presidente manteve o suspense adiando para esta quarta-feira sua decisão.
Menem venceu o primeiro turno, disputado em 27 de abril, mas as pesquisas de intenção de voto indicam que sofrerá uma derrota acachapante para o também peronista Néstor Kirchner nas eleições do próximo domingo.
Nos últimos dias, Menem negou diversas vezes que estivesse pensando em renunciar. Entretanto, a perspectiva de um abandono evidenciou-se pela manhã, quando o candidato cancelou um encontro com empresários de órgãos da imprensa.
Posteriormente, Menem, que jamais perdeu uma eleição, também suspendeu a campanha publicitária nos jornais da província de Buenos Aires.
Suspensos os compromissos de campanha, Menem reuniu-se com o candidato a vice em sua chapa, Juan Carlos Romero.
Se Menem realmente formalizar sua renúncia, Kirchner, que tem a vantagem estimada entre 30 e 40 pontos, será declarado automaticamente o novo presidente da Argentina.
Governador da província de Santa Cruz, Kirchner disse que a renúncia de Menem seria prejudicial para o processo político na Argentina, que há três anos busca a estabilização.
“Carlos Menem é capaz de tudo”, reagiu, acrescentando que a renúncia representaria um “dano institucional grave” ao país.
“Cada um sabe quais são as responsabilidades que têm neste momento”, acrescentou Kirchner.
O presidente Eduardo Duhalde reagiu com contrariedade aos rumores sobre a renúncia de Menem.
“Há uma responsabilidade histórica de concluir este processo com o voto no segundo turno e interrompê-lo seria uma irresponsabilidade histórica”, afirmou.
Com informações da France Presse





