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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Hidrovias ganham força como alternativa logística para impulsionar competitividade de Mato Grosso do Sul

Comparação feita pelo governador Eduardo Riedel com o Rio Mississippi reforça potencial dos rios Paraguai e Paraná como corredores estratégicos para o escoamento da produção sul-mato-grossense

Mato Grosso do Sul pode estar diante de uma nova etapa de sua logística de transporte. Em meio à expansão da indústria de celulose, ao crescimento da produção agropecuária e à necessidade de reduzir custos operacionais, as hidrovias voltam ao centro das discussões como alternativa estratégica para aumentar a competitividade do Estado nos mercados nacional e internacional.

Hidrovias ganham força como alternativa logística para impulsionar competitividade de Mato Grosso do Sul

Durante o Fórum Internacional da Agropecuária, realizado nesta semana em Campo Grande pelo Canal Rural, o governador Eduardo Riedel destacou a importância do transporte hidroviário e comparou o potencial dos rios sul-mato-grossenses ao modelo utilizado nos Estados Unidos, onde o Rio Mississippi desempenha papel fundamental no escoamento da produção agrícola e industrial.

Hidrovias ganham força como alternativa logística para impulsionar competitividade de Mato Grosso do Sul

“A hidrovia é um eixo estratégico de competitividade. A movimentação de minério pelo Porto de Corumbá insere o Estado em um contexto logístico internacional, conectando-se a corredores de transporte semelhantes aos observados no Rio Mississippi, nos Estados Unidos, e na região do Rio Paraná até o Delta do Prata”

A declaração reforça uma visão que vem ganhando espaço entre especialistas e investidores: os rios Paraguai e Paraná podem se consolidar como importantes corredores logísticos para Mato Grosso do Sul, integrando diferentes modais de transporte e reduzindo a dependência do sistema rodoviário.

A hidrovia é uma pauta interessante para a operação de minério, em Corumbá, onde estão instaladas as operações da LHG Mining, Vetria Mineração, 3ª Mining e Vetorial Siderurgia. A região é reconhecida pela alta qualidade do ferro e manganês e a o modal hidroviário pode ser uma alternativa economicamente viável e estratégica para a logística de escoamento da produção.

Paraná e Paraguai: os grandes eixos hidroviários de MS

Enquanto o Rio Paraguai já possui relevância histórica por meio da Hidrovia Paraguai-Paraná e do Porto de Corumbá, o Rio Paraná desponta como uma das principais apostas para atender à crescente demanda do setor industrial, especialmente da cadeia de celulose instalada na Costa Leste do Estado.

O Rio Paraná conecta Mato Grosso do Sul ao interior paulista e, posteriormente, ao Porto de Santos por meio de um sistema integrado que combina transporte hidroviário e ferroviário. A rota permite que cargas sejam embarcadas em barcaças, sigam pelos rios Paraná e Tietê até terminais intermodais em São Paulo, como o de Pederneiras, e de lá sejam transportadas por ferrovia até o litoral.

O corredor é visto como uma alternativa eficiente para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade das exportações sul-mato-grossenses.

Bracell aposta na logística hidroviária

Hidrovias ganham força como alternativa logística para impulsionar competitividade de Mato Grosso do Sul
Os investimentos da Bracell em um terminal portuário hidroviário em Três Lagoas representam mais uma etapa do fortalecimento do potencial logístico da Costa Leste de Mato Grosso do Sul (Foto: Criação IA)

O potencial da hidrovia já desperta o interesse de grandes grupos industriais. A Bracell, que está construindo uma nova fábrica de celulose em Bataguassu, estuda utilizar o sistema hidroviário para escoar parte de sua futura produção.

A empresa também apresentou projetos para utilização da estrutura portuária existente na região da Cascalheira, em Três Lagoas, localizada em uma área estratégica próxima ao encontro dos rios Sucuriú e Paraná. O local possui profundidade adequada para operações portuárias e já foi utilizado durante as obras da Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias (Jupiá).

Atualmente, a Bracell mantém extensas áreas florestais em Água Clara para abastecer sua unidade industrial de Lençóis Paulista (SP). Toda a madeira é transportada por rodovias por centenas de quilômetros até a fábrica paulista. A utilização de terminais hidroviários pode representar uma alternativa mais eficiente e econômica para parte dessa movimentação.

Experiência já foi utilizada pela Eldorado Brasil

A viabilidade do transporte hidroviário não é apenas uma projeção futura. Quando entrou em operação em Três Lagoas, a Eldorado Brasil utilizou um sistema integrado de logística que combinava barcaças, hidrovia e ferrovia.

Instalada às margens do Rio Paraná, a empresa construiu um terminal portuário próprio para embarcar fardos de celulose em barcaças. A carga seguia pelo Rio Paraná até o Rio Tietê, chegando ao terminal de Pederneiras, no interior paulista. De lá, era transportada por ferrovia até o Porto de Santos para exportação.

No retorno, as embarcações voltavam carregadas com madeira e outros insumos destinados à fábrica, criando uma operação logística de mão dupla.

O modelo demonstrou viabilidade operacional, mas acabou sendo interrompido devido às limitações impostas por períodos de estiagem severa e pela redução do nível dos rios, que comprometeram o calado necessário para a navegação.

Integração continental

Hidrovias ganham força como alternativa logística para impulsionar competitividade de Mato Grosso do Sul
O mapa mostra a Bacia do rio Paraná, com destaque para o rio Tietê, um dos principais afluentes do rio Paraná (Imagem: Wikipédia)

Além dos ganhos econômicos, o fortalecimento das hidrovias amplia a integração de Mato Grosso do Sul aos grandes corredores de transporte da América do Sul.

O Rio Paraná conecta-se ao sistema hidroviário do Rio da Prata, formando uma extensa rota navegável que alcança os portos da Argentina e do Uruguai. Já o Rio Paraguai liga a região pantaneira ao mesmo corredor internacional por meio da Hidrovia Paraguai-Paraná, considerada uma das mais importantes da América do Sul.

A comparação feita por Riedel com o Rio Mississippi evidencia justamente essa vocação. Nos Estados Unidos, o sistema hidroviário é responsável por movimentar milhões de toneladas de grãos, combustíveis e produtos industriais, reduzindo custos e aumentando a competitividade da economia.

Para Mato Grosso do Sul, a combinação entre hidrovias, ferrovias e rodovias pode representar um dos principais diferenciais logísticos das próximas décadas. Com a expansão da indústria de celulose, o crescimento da mineração e o avanço da produção agropecuária, os rios Paraná e Paraguai voltam a ser vistos não apenas como recursos naturais, mas como verdadeiras estradas de água capazes de conectar o Estado aos mercados globais.

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