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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Lula convida PMDB a participar do governo

22/03/2003 09h26 – Atualizado em 22/03/2003 09h26

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou formalmente – acenando com um ministério em dezembro – o PMDB para participar do governo e integrar a base de sustentação política, durante almoço com lideranças do partido, no Palácio do Planalto. Os dirigentes do PMDB ficaram de fazer consultas sobre a proposta e responder ao convite. Segundo um dos presentes ao almoço, o presidente afirmou que fará uma reforma ministerial no fim do ano. Lula explicou que dezembro é o prazo político, pois os ministros que vão disputar eleições municipais só teriam de deixar seus cargos em abril do próximo ano.

O PT está otimista e acredita que a aliança entre os dois partidos se dará primeiro no Legislativo, com participação dos peemedebistas no colégio de líderes e em três conselhos: o de Desenvolvimento Econômico e Social, o de Segurança Alimentar e o político, formado pelos presidentes de partidos governistas, além de cargos federais nos estados, já em negociação com peemedebistas que apoiaram Lula, e de segundo escalão.

  • Temos coisas importantes para fazer no Brasil, precisamos muito do apoio do PMDB. A convivência vai ajudar a superar as dificuldades políticas. Foi assim que vencemos as resistências ao vice José Alencar. Hoje também não há mais ninguém que discorde do apoio que demos para o Sarney no Senado – disse Lula.

O governador de Santa Catarina, o peemedebista Luiz Henrique, disse esta tarde que qualquer entendimento do partido com o governo precisa passar pelos governadores, pelo presidente do partido, Michel Temer, pelos líderes na Câmara, Eunício Oliveira, e no Senado, Renan Calheiros, e pelo presidente do Congresso, José Sarney.

  • Fora disso, acho difícil de avançar qualquer processo.

O governador disse que a reunião dos cinco governadores peemedebistas, programada para segunda-feira, foi cancelada por problemas de agenda do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. Mas Luiz Henrique insiste que uma reunião dos governadores incluindo as lideranças do partido deva ocorrer ainda em março para discutirem a adesão ao governo Lula.

Lula tocou num ponto que animou os peemedebistas e pode deixar o partido mais perto do governo: a aliança deve ser não só no Congresso, mas também no Executivo e eleitoral, com vistas às eleições de 2004 e 2006. Os peemdebistas gostaram, ainda, do reconhecimento feito pelo presidente Lula de que sem o PMDB,

dificilmente as reformas constitucionais serão aprovadas.

  • O presidente Lula quer uma aliança duradoura com o PMDB, que não seja nem temporária e nem só no Congresso, mas também no Governo e nas eleições – disse o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, que não esconde o desejo de se aliar do governo.

  • Mas isso não depende só de mim; em muitos estados, o PT e o PMDB estão em campos opostos. As dificuldades persistem – explicou.

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, está reservando uma vaga de vice-líder para o PMDB. Serão vice-líderes João Capiberibe, pelo PSB; Fernando Bezerra, pelo PTB; Patrícia Gomes, pelo PPS; e a quarta vaga fica para o PMDB, provavelmente com Hélio Costa.

Se for fechado o acordo, o PMDB terá ainda a liderança do governo no Congresso.

  • Quem apóia o governo deve participar do governo – disse o líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

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