28/01/2003 09h14 – Atualizado em 28/01/2003 09h14
O aumento do preço do algodão e a dificuldade de repasse dos custos para o produto final deverão estreitar a margem de lucro das companhias do setor têxtil neste ano. Especialistas acreditam que o salto de mais de 100% na cotação da matéria-prima em 2002 começará a ser percebido nos resultados da empresas já no primeiro trimestre. “As principais companhias fizeram grandes estoques de algodão no início do ano passado, quando o preço ainda estava baixo”, lembrou Daniel Pasquali, da corretora Fator Doria Atherino.
Dessa forma, elas conseguiram passar por 2002 sem sofrer o impacto da alta no preço da commodity. No entanto, encontrarão uma situação bem diferente quando renovarem seus estoques a partir deste trimestre. A arroba de algodão em pluma no atacado de São Paulo custava R$ 28,60 em dezembro de 2001, enquanto em dezembro de 2002 o produto era negociado a R$ 60,00, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A analista da consultoria Tendências Amaryllis Romano explicou que o salto no preço do algodão foi provocado pela queda de 11% na produção mundial da safra 2002/2003 e pelo crescimento de 2,2% no consumo. Ela comentou que a expectativa para a próxima safra não é muito animadora. Apesar do aumento dos custos, os especialistas afirmam que não há muito espaço para repasse de preços, o que deve provocar o estreitamento da margem de lucro. O presidente da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva, admitiu que será difícil evitar um estreitamento de margens em 2003. Apesar do cenário desfavorável, a Coteminas é uma das empresas do setor em situação mais confortável. "Ela registrou margens crescentes em 2002", lembrou Ramalho. "A margem bruta média de 2003 será menor do que a esperada para o quarto trimestre de 2002, mas deverá ficar próxima da média do ano passado." Para Bonsaver, as empresas têxteis devem aumentar o peso das exportações na receita para compensar o aumento nos custos. "O atual patamar do dólar permite um ganho maior com as exportações." Ele lembrou que o denin (principal produto da Santista Têxtil) tem feito sucesso no mercado europeu.
Fonte: O Estado de S.Paulo




