28/01/2003 09h16 – Atualizado em 28/01/2003 09h16
O entomologista Crébio José Ávila, especialista em manejo de pragas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, alerta os produtores de soja sobre a presença dos percevejos nas lavouras, que podem surgir com a fase reprodutiva da cultura, causando danos que vão desde o início da formação das vagens até o desenvolvimento final das sementes. Segundo Crébio, ao atingir populações elevadas, esses insetos podem causar perdas significativas no rendimento da cultura, o que justifica a adoção de medidas de controle.
A recomendação do pesquisador é que seja utilizado o manejo de pragas, uma tecnologia que consiste, basicamente, em inspeções frequentes nas lavouras, para determinar a necessidade ou não do controle, baseando-se em níveis de ação, ou seja, na densidade populacional do inseto. “A implementação do manejo proporciona benefícios econômicos, ecológicos e sociais. Para o manejo do percevejo-da-soja, o período para a realização das amostragens deve-se restringir após o florescimento da cultura, pois antes desta fase o inseto não constitui praga. O uso de produtos químicos seletivos para inimigos naturais também é de fundamental importância para que o controle biológico seja implementado na lavoura. O controle químico do percevejo somente deve ser realizado quando a população da praga atingir os níveis de ação determinados pela pesquisa, ou seja, 2 percevejos/pano em campos de produção de sementes e 4 percevejos/pano para lavouras destinadas à produção de grãos para indústria”, afirma o entomologista.
Crébio destaca que os objetivos básicos do manejo são garantir o potencial produtivo da cultura, maximizar a ação dos inimigos naturais no agroecossistema, reduzir os custos das aplicações de inseticidas, preservar a saúde do homem, o ambiente e a fauna silvestre. Ele ainda acrescenta que os principais benefícios com a medida são uma maior margem de lucro para o produtor e a redução dos riscos de intoxicação de pessoas e contaminação ambiental. “Ações no controle de pragas que não levam em consideração esses benefícios podem afetar a sustentabilidade do negócio agrícola”, salienta. Com relação aos produtos químicos usados no manejo, o pesquisador afirma que o ideal é aquele que apresenta eficiência no controle da praga-alvo, que tenha um período residual e de carência adequado, e que seja seletivo para os insetos não-alvos (predadores, parasitóides, abelhas, etc.), de vida curta no ambiente e economicamente viável. “Entretanto, nem sempre é possível compatibilizar todas essas características nos produtos disponíveis no mercado.
Como princípio básico, o técnico ou o produtor devem utilizar somente os produtos que foram testados e recomendados pela pesquisa. Deve-se evitar o uso de sub e superdoses e, quando possível, rotacionar os produtos com diferentes modos de ação, pois são táticas que, a médio e longo prazos, garantem maior eficiência no controle das pragas, bem como reduz a possibilidade de desenvolvimento de resistência”, explica. Crébio lembra, no entanto, que junto com a pesquisa, a solução deste problema na lavoura deve ser de responsabilidade também dos técnicos, dos produtores, das cooperativas e das empresas de defensivos.
Fonte: Correio do Estado






