28/01/2003 13h38 – Atualizado em 28/01/2003 13h38
São Francisco de Assis não negocia, mas tem várias pessoas que cuidam de seus bens no Brasil. Isso porque o santo “autorizou” um bispo do Piauí a vender 184 hectares de terra que foram doados pelos fiéis da cidade de Morro do Chapéu do Piauí, que fica a 192 quilômetros de Teresina.
Conforme a Folha de S.Paulo, documentos de um cartório da cidade revelam que São Francisco de Assis, “titular das terras”, designou há três anos como representante de seus negócios terrenos o bispo da diocese de Parnaíba, Alfredo Schaffler.
Como testemunhas da operação e intermediários das negociações de venda, aparecem as firmas de dois sacerdotes, sendo que um deles foi candidato a deputado estadual pelo PT nas últimas eleições.
Os documentos, de janeiro de 2000, mostram que São Chico mora na Paróquia de Nossa Senhora da Boa Esperança, em um povoado isolado de Morro do Chapéu do Piauí.
A partir de então, Schaffler passou a conciliar as tarefas de bispo com os trabalhos burocráticos encomendados pelo milagreiro, como a divisão, a fixação de preços e a venda das terras.
Os sacerdotes têm o poder de autorizar as transações relacionadas com as 57 quadras que São Francisco acumulou nos últimos anos graças à devoção e desprendimento de seus fiéis.
Do ponto de vista jurídico, a operação é legal e a venda dos lotes, conforme a Igreja no Piauí, busca regularizar a situação de dezenas de famílias que nas últimas duas décadas ocuparam as propriedades através de invasões.
O problema encontrado é que os invasores se negam a pagar à Igreja pela terra onde vivem. Eles argumentam que o “único dono” do local é São Francisco de Assis e que as casas foram construídas com seu próprio dinheiro.
Se o padroeiro dos pobres e oprimidos não faturou com a venda dos seus bens, pelo menos seus “representantes” na Terra o ajudaram a acabar com suas dívidas com a prefeitura. Um dos lotes do santo foi entregue pela Igreja à Prefeitura para cancelar a dívida que São Chico tinha por não ter pagado seus impostos.
Fonte: Agência EFE





