13/01/2003 15h41 – Atualizado em 13/01/2003 15h41
Senhor!
Se esta dor é o quinhão que me compete,
faz com que eu possa suportá-la,
abraçando amorosamente esta estranha cruz.
Quando eu estiver em crise, conforta o meu coração …
Quando mãos de aço invisíveis apertarem minha garganta, vem em meu auxílio
e me concede a dádiva de lágrimas libertadoras …
Quando a escuridão se fizer presente
e de breu se travestir a minha vida,
que haja uma réstia de luz, esperança e consolação, brilhando no fundo do poço …
Quando tudo tiver perdido o sentido
e eu me encontrar prostrado e abatido,
desejando apenas morrer,
que um Anjo Teu venha me falar de vida,
de novas oportunidades e de melhores circunstâncias .
Quando a aridez for tanta,
que eu me torne incapaz de dar um sorriso
para um filho meu, ou para quem quer que seja,
eleva-me à majestade do Teu reino
e banha-me nas águas da Tua redenção benfazeja …
Quando eu estiver paralisado de terror
face aos monstros incompreensíveis do pânico,
da culpa, da letargia, da fobia, do isolamento,
do ódio auto-direcionado,
faz-me lembrar de imediato
que o Teu amor se coloca acima
de todos estes algozes ilusórios,
filhos do meu transitório desequilíbrio, e que eu possa nesta hora abandonar-me em Ti,
na mais irrestrita confiança.
Permita Senhor,
que esta dor não me coloque à margem da vida.
Antes, que eu aprenda com ela e que dela,
eu seja capaz de arrancar o meu aprimoramento …
Quando Senhor, a dor se agigantar de tal sorte,
que estando eu vivo,
eu estampe a própria morte,
com os pensamentos e sentimentos em convulsão, incapacitado de balbuciar a mais simples oração,
assume nesta hora o comando da minha “embarcação “
e sem que eu perceba,
me conduz a um porto seguro de luz e salvação …
E, se um dia Senhor,
eu porventura estiver curado e reabilitado,
livra-me de me tornar esquecido .
Que possa eu amorosamente abrir meu coração,
estender as minhas mãos
e ir ao encontro dos meus outros irmãos deprimidos.
Fátima Irene Pinto




