13/11/2002 19h42 – Atualizado em 13/11/2002 19h42
Buraco de um metro e meio dava acesso à marcenaria da penitenciária onde não havia guardas
Cinco detentos fugiram na madrugada de ontem (12) do Estabelecimento Penal de Três Lagoas. Eles fizeram um túnel na cela que dava acesso à marcenaria, e em seguida aos fundos do presídio.
A fuga só foi descoberta pela manhã, quando carcereiros levavam os presos para fora das celas. Por conta disso, não dá para precisar o horário em que eles escaparam.
Foi feito um túnel, próximo ao lavatório da cela, de aproximadamente um metro e meio, que dava acesso à parte de trás do EPTL, onde fica a marcenaria. Os detentos conseguiram perfurar duas barras de concreto de oito centímetros e toda a terra retirada foi jogada em um vão próximo ao banheiro.
Os agentes penitenciários, durante a revista diária feita às 17hs não constataram nada e por se tratar de poucos metros, eles acreditam que os detentos cavaram o buraco durante a noite.
Segundo informações da perícia, após passarem pelo túnel os presos se rastejaram pela horta e pularam o muro de três metros sem serem vistos pelos policiais.
Das três guaritas, apenas a do fundo estava sem guarda, por falta de efetivo. Segundo o diretor do EPTL, Wilson Garcia, “há muito tempo o local sofre com a falta de contingente”. A média de agentes que fazem o plantão no EPTL é de nove.
Na cela havia 12 homens, mas apenas Alessandro Luiz Gomes, o “Peca”; Amaro Cícero dos Santos; Gilmar Fernandes Ferreira, o “Mazinho”; Paulo da Silva Santos e Wilson Lopes Junior quiseram fugir. O diretor conta que três dos fugitivos são condenados por homicídio e roubo.
“É uma fatalidade porque o trabalho, tanto interno quanto externo, foi feito”, lamenta Garcia.
O diretor afirma que esse acontecimento servirá de impulso para que haja mais cobranças no término da construção do novo presídio. “O que faremos agora é pedir que a segurança seja redobrada e transferência de alguns presos”.
O presidio abrirá uma sindicância para apurar as informações. As investigações prosseguem, mas não há nenhuma pista sobre os foragidos.
SUPERLOTAÇÃO
A superlotação é um dos principais fatores nas ocorrências de rebelião e fuga nos presídios. Hoje o Estabelecimento Penal de Três Lagoas conta com cerca de 200 detentos, sendo que a capacidade é para 58 homens.
Os agentes penitenciários informam que em apenas uma cela, que pode abrigar quatro ou cinco presos, está com 22 homens. Por conta da falta de espaço eles se revezam para dormir.
“É humanamente impossível fazer um trabalho de grande nível com essas condições”, desabafa o diretor do EPTL.
Situação igual estão nas delegacias da cidade. Sem estrutura para cuidar de detentos, elas chegam a abrigar oito em uma única cela. Além de disponibilizar policiais civis, que deveriam cuidar de investigações, para fazer a custódia dos presos.
NOVO PRESÍDIO
Enquanto isso, as obras do novo presídio de Três Lagoas, localizado às margens da MS 395, que liga a cidade à Brasilândia, continuam em ritmo lento e sem data para inauguração.
Segundo o gerente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos do Mato Grosso do Sul), Cláudio César Alcântara “as obras estão em ritmo lento mais por conta de problemas políticos do que problemas técnicos”.
Isso porque pelo acordo firmado para retomada da obra entre Estado e Governo Federal, cada um entraria com uma parcela para despesas. Segundo Alcântara isso não está sendo feito e apenas o Governo do Estado está arcando com a construção.
O gerente afirma que possivelmente a partir de janeiro de 2003 a obra tome impulso por conta a gestão do novo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O novo presídio abrigará 256 detentos, acabando com a superlotação das delegacias e do EPTL.





