12/11/2002 13h56 – Atualizado em 12/11/2002 13h56
Mas como? – pergunta-se. Não havia dificuldades no abastecimento de milho, isso determinando redução da produção? Havia e há. Mas acima de qualquer carência do gênero, continua prevalecendo no setor a certeza (na atualidade, duvidosa) de que pintos alojados em outubro sempre alcançam bons preços finais, pois entram no mercado – como frangos – entre a segunda quinzena de novembro e as vésperas do Natal – período considerado “dourado” para o consumo. Mas, a partir daí, as expectativas se desvanecem. Tanto que, para novembro corrente, se prevê sensível queda na produção e no alojamento (pelo menos em relação a outubro).
E quanto a dezembro? A pergunta foi feita a um técnico de campo de uma indústria de premixes. Sua resposta: “O pessoal está entusiasmadíssimo!”. E sua observação: “Isso é preocupante!”. Segundo esse técnico, a reação obtida pelo frango nos últimos dias reanimou produtores em geral que, agora, preparam-se para retomar os níveis anteriores de criação. E isso – conclui ele – quer dizer que em dezembro produção e alojamento voltam a aumentar, nada impedindo que se chegue a números próximos ou iguais aos de outubro. “O preocupante” – prossegue – “é que a situação não está normalizada. Os custos continuam elevados e ainda não sabemos se o consumidor vai ‘digerir’ o repasse desses custos. Mais: com o aumento da criação agora em dezembro, vamos ter uma alta oferta de frangos entre janeiro e fevereiro, período normalmente de baixo consumo. E isso pode dificultar ainda mais a obtenção de preços adequados”.
Além disso, porém, ele observa que “jamais a avicultura voltará a desfrutar dos bons tempos de antes”. Com isso quer realçar que mesmo em 2003 o abastecimento de milho permanecerá extremamente ajustado, isso implicando em custos elevados, “não tão altos como os experimentados atualmente, mas bem acima da média com que a avicultura se habituou a operar”. Em outras palavras, doravante a avicultura passa a operar – talvez definitivamente – em um novo e mais elevado patamar de custos. Resta saber se o consumidor vai aceitar e absorver esse novo patamar sem reduzir o próprio consumo.
Fonte: Avisite





