12/11/2002 18h43 – Atualizado em 12/11/2002 18h43
Estado negará licença ambiental para usina no Rio Verde, se for comprovado o prejuízo que causa
Por conta da pressão feita por entidades e moradores da região do rio Verde, em Água Clara, o Governo do Estado não descarta a possibilidade de barrar a construção da Usina Hidrelétrica São Domingos, não concedendo a licença ambiental.
A informação partiu do secretário estadual do Meio Ambiente e Turismo, Márcio Antônio Porto Carrero. O principal argumento para inviabilizar a construção da usina é com relação a energia que será gerada.
A hidrelétrica será responsável por apenas 48 megawatts (MW) de energia , sendo que a destruição ao meio ambiente não justificaria esse empreendimento de pequena proporção.
Pelo programa de aproveitamento hídrico do Rio Verde, com 330 quilômetros de extensão, seriam instaladas seis pequenas usinas, que juntas gerariam 270 MW, muito menos que a usina Termoelétrica de Três Lagoas, que gerará 330MW utilizando o gás natural e sem promover inundações.
LICENÇA
A licença ambiental para o início das obras da hidrelétrica de São Domingos é pedida pela Construtora Máster S.A, que venceu o leilão realizado no Rio de Janeiro, em 12 de julho.
Segundo o secretário Márcio Porto, se for comprovada que a usina não causará mais prejuízos que benefícios, o Estado negará essa licença ambiental.
O Relatório de Impacto Ambiental foi entregue à Secretaria que tem 90 dias para dar o parecer. Porto não descarta a possibilidade de consultar a Curadoria do Meio Ambiente, antes de tomar a decisão.
MEIO AMBIENTE
Na área de inundação projetada para a usina de São Domingos, estão cachoeiras e corredeiras de grande beleza. A maior delas é a Cachoeira Branca. Nessa época do ano ela fica repleta de peixes de piracema que saltam para transpor a barreira de aproximadamente 15 metros que separa parte alta e baixa da corredeira.
Uma das pessoas que lutam para que o lugar seja preservado é o pecuarista Orestes Prata Tibey Junior, que encabeçou várias reivindicações contra a construção da Usina.
Ele e mais um grupo de fazendeiros da Costa Leste organizaram uma campanha com cartazes e outdoors, colocados às margens da BR 262, indo de Três Lagoas até Campo Grande.
Eles alegam que, além de acabar com o ciclo da piracema e com as cachoeiras, pequenos produtores rurais, ribeirinhos e pescadores, serão prejudicados, correndo o risco de irem à falência. Eles citam o exemplo do que aconteceu na região de Três Lagoas até Anaurilândia, com a formação do reservatório da Usina Sérgio Motta, desapropriando terras.
EM BRASÍLIA, PLANEJAMENTO É CONTRA USINA
O Diretor de Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento Eugênio Miguel Mancini Scheleder disse na segunda-feira (11), em Brasília, que pessoalmente é contra a construção de hidrelétrica no Rio Verde.
Scheleder disse conhecer a região por ter nascido em Três Lagoas (MS) e também utiliza o argumento de que a energia a ser gerada é inferior se comparada ao impacto ambiental
Segundo o diretor, que é especialista em geração de energia, a exploração do turismo naquela região seria economicamente mais vantajosa para a população local e para o país.
O pecurista Orestes Prata Tibey Junior, que está liderando vários protestos contra a construção da Usina






