22/10/2002 09h25 – Atualizado em 22/10/2002 09h25
SÃO PAULO – O dólar comercial abriu hoje em alta de 1,12%, cotado a R$ 3,944 na compra e R$ 3,954 na venda. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para liquidação em novembro está em R$ 3,909, com alta de 1,24%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em baixa de 0,31%, com o Índice Bovespa em 9.099 pontos. O volume financeiro na abertura foi de R$ 144 mil. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Ibovespa com vencimento em dezembro está em 9.260 pontos, com queda de 1,92%.
O principal assunto no mercado financeiro nesta terça-feira continua sendo a dívida pública cambial de US$ 1,1 bilhão que vence amanhã e as tentativas do Banco Central (BC) de renegociar parte dela. Outro destaque do dia é o início da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira decide sobre a taxa básica de juros da economia (Selic), hoje em 21% ao ano.
Ontem o BC fez duas tentativas de renegociar a dívida vincenda, por meio da oferta de 10.500 contratos de swap cambial de curto prazo, com vencimento em 2 de dezembro. A demanda pelos contratos não chegou a ser significativa e as instituições financeiras ainda pediram altas taxas de juros, recusadas pelo BC.
Hoje a autoridade monetária faz nova tentativa de rolar parte da dívida, mas já enfrenta uma pressão bem maior dos investidores sobre o dólar, com o objetivo de maximizar os ganhos na remuneração da dívida. É que a dívida a ser resgatada amanhã será reajustada pela variação do dólar. A referência para essa correção é a média das cotações da moeda americana no dia de hoje. Quanto mais altas forem as cotações no período de maior negociação (pela manhã), maior será a média do dólar (Ptax). Por isso, é possível que as cotações se mantenham fortemente pressionadas nestas primeiras horas de negociação.
Segundo informam as mesas de câmbio dos bancos dealers, a tendência é que o mercado pressione o dólar até ultrapassar os R$ 4,00. No entanto, a expectativa é de que o BC entre com mais força na intervenção direta, para evitar a chegada da cotação a esse patamar.
Quanto à reunião do Copom, a expectativa da maioria dos agentes financeiros é de manutenção da taxa Selic. A taxa já foi elevada de 18% para 21% ao ano na semana passada, em reunião extraordinária do Copom. O objetivo dos diretores do BC foi conter a pressão inflacionária.
O rebaixamento do rating brasileiro promovido ontem pela agência de classificação de risco Fitch não causou estragos no mercado nos negócios da segunda-feira, mas pode ter alguma repercussão hoje, devido à maior volatilidade. Além disso, o cenário político também continua como fator gerador de rumores e especulações. A diferença agora é que o mercado já especula em torno da equipe de um eventual governo petista.
Os títulos da dívida externa iniciaram o dia em baixa e o risco-país brasileiro sobe com força nesta manhã, num reflexo do desempenho negativo das bolsas internacionais. Os índices futuros das bolsas americanas indicam abertura negativa. Com isso, podem influenciar a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que acumula três pregões consecutivos de alta. Às 9h30m, o risco Brasil subia 2,82%, aos 2.037 pontos-base.
Fonte: GloboNews






