05/04/2010 17h15 – Atualizado em 05/04/2010 17h15
Para nós católicos, e os cristãos de um modo geral, a Páscoa é aquela freada que se faz na vida para depois recomeçar com mais ânimo. A louca correria diária dos dias atuais não é a mesma de alguns anos atrás. Hoje estamos ligados aos problemas do mundo e, queiramos ou não, as informações instantâneas dos problemas da humanidade acabam mexendo conosco. Boa parte do nosso tempo diário passa a ser ocupado pelos problemas de outros.
Até mesmo as administrações públicas – o que significa dizer: a política – ocupa grande parte de nosso tempo porque as informações que nos chegam a tempo real quer através de rádios ou TVs, não são mais aquelas de poucos anos passados. São instantâneas, causam choques visuais, sobrecarregam a mente e nos deixam com os nervos tinindo como cordas de instrumentos musicais.
Se já foi importante para os cristãos fazer uma parada na vida todo ano a fim de refletir sobre o sacrifício de Jesus, nos dias atropelados de hoje, essa parada, torna-se necessária, não somente para os cristãos, mas para todos os humanos.
Nós cristãos festejamos a Páscoa há quase 2000 anos e os judeus já a festejam há 3500 anos. Para os cristãos representa o sofrimento, a morte e principalmente a Ressurreição de Jesus Cristo. Para os judeus a saída do Egito com a sua consequente libertação.
Acompanhar compenetradamente todo ano aquele que foi o maior julgamento da história; relembrar os primeiros passos da vida pública de Cristo, com suas pregações, seus exemplos, seus milagres, seu sofrimento e morte são obrigações dos cristãos. E manter a fé em sua Ressurreição; eis a nossa Páscoa!
A Semana Santa com seus dias recomendados para o resguardo e abstinência nos dá oportunidade para refletirmos acerca dos exageros praticados com o nosso corpo. O pecado da gula, por exemplo, que nos leva a fazermos parte dos 40% da população acima do peso ideal.
Semana para pensarmos nos erros que cometemos não só com nosso corpo e com nossa mente, mas erros que cometemos com os outros. Erros por termos feito pouco pela comunidade, afinal, nesse mundo globalizado hoje somos uma comunidade só. Precisamos, então, nos sentirmos parte desta comunidade e ajudar mais pela própria sobrevivência.
Toda a tensão acumulada nesses 365 dias vai se dissolvendo lentamente no transcorrer da Semana Santa para culminar no domingo de Páscoa. Dia em que, assim como Jesus que volta à vida ressuscitando, nós cristãos também voltamos a procurar nossas famílias – a fonte da nossa vida. Juntamos-nos na intimidade dos familiares para festejarmos o nosso renascimento para uma nova batalha.
A reflexão para esta segunda-feira por mais que possa parecer uma pregação – e se assim for, fico feliz – é uma mensagem para ficar gravada na nossa mente de que, mesmo não sendo cristão, já que a Semana Santa é adotada oficialmente com seus dias feriados, se faça dela um tempo obrigatório para recolhimento e reflexão.
Claro, e de alegria com a Páscoa, o dia da Ressurreição de Jesus Cristo e também começo de uma nova vida para todos nós. Uma via mais alegre e mais humanizada. Um novo tempo de uma Páscoa permanente.



