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quarta-feira, 18 de março de 2026

A importância da oposição

01/03/2010 10h15 – Atualizado em 01/03/2010 10h15

 Quanto mais democrático um país, mais respeitada e forte é a oposição ao seu governo. Nem é necessário ficar aqui mostrando exemplos, basta correr os olhos na vida política dos países mais civilizados. Quanto mais desenvolvido um país, quer econômica, cultural ou socialmente, maior é o prestígio junto ao povo do contraponto à administração, ou seja, a oposição. 

O Brasil já teve uma boa oposição no governo federal com o Partido dos Trabalhadores (PT). Em todos os governos anteriores a Lula o PT assumiu e manteve a liderança em fazer uma forte oposição até mesmo antes do primeiro presidente democraticamente eleito, José Sarney. 

No final da ditadura militar que durou mais de vinte anos, de 1964 a 1985, o PT, apesar de jovem e inexperiente, iniciou naquela época sua destemida oposição a todos os governos do país. No mandato do primeiro presidente eleito, o PT conquistou a supremacia da oposição sufocando praticamente todos os demais partidos de esquerda, até mesmo o antigo e tradicional PCB, hoje PPS. 

A linha política do Partido dos Trabalhadores era a defesa dos trabalhadores urbanos. Com seu crescimento passou à defesa também dos pequenos trabalhadores rurais. Apesar de se dizer socialista, deixou a defesa das teses marxistas para os demais partidos de esquerda. Desde o início fez oposição radical ao Governo Federal e nisso incluiu sua oposição até ao próprio Poder Legislativo quando se negou a assinar a Constituição de 1988. 

Com discurso sempre na defesa dos trabalhadores, mas cada vez mais baseado na moralidade e transparência foi crescendo e se tornando um dos maiores partidos políticos do Brasil. Se não o maior, com certeza o mais organizado. 

Como no mundo todo – nas democracias certamente – uma boa oposição vai num crescendo até chegar sua vez em administrar porque é assim que o povo quer. O crescimento do PT se fez pelo bom trabalho na oposição e o poder foi sendo conquistado em muitos municípios, depois em alguns governos estaduais e finalmente o comando da administração do país.

Passados os primeiros dias na nova experiência em administrar a máquina federal que ele tanto e tão bem sabia criticar e vendo que de seus quadros poucos tinham experiência e, pior, nem competência para administrar precisou “negociar” a ajuda de outros partidos para continuar mantendo o poder. 

Para se manter no poder criou o “mensalão”. Escândalo de proporções tão elevadas e de tantas estripulias que abalou o primeiro governo Lula. Só não teve maiores conseqüências porque no Brasil ainda não havia se organizado uma nova oposição. 

Oportunidade houve para que no país se formasse uma boa oposição; foi quando o próprio Procurador Geral denunciou 40 – número sugestivo e emblemático este – dos envolvidos no “mensalão”, uma boa parte deles membros da gloriosa e passada oposição petista. Na verdade poucos se apresentaram para formar uma nova oposição e ainda assim, esses poucos, sem aquele destemor que era próprio dos petistas quando estavam na oposição. 

Agora com o novo escândalo do governo de Brasília, denominado “mensalão” do DEM, vê-se uma nova oposição nascendo. Parecida com a antiga oposição petista onde estudantes e sindicalistas gritam nas ruas e em frente à Câmara dos Deputados pedindo o impeachment do governador Arruda. Essa é a oposição que o povo está pedindo que volte e a oportunidade está aí de novo se apresentando. 

Tomara essa nova mentalidade oposicionista se forme agora com esta oportunidade, caso contrário, para vermos uma boa e necessária oposição, pelo visto, só se o PT sair do governo e volte a ser oposição – coisa que ele faz melhor do que administrar.

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