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quarta-feira, 18 de março de 2026

A maldita incapacidade

08/02/2010 11h05 – Atualizado em 08/02/2010 11h05

Os problemas nas administrações públicas no Brasil são bem conhecidos, inclusive pelos responsáveis por eles. As soluções deles é o nó górdio a ser desatado. 

Ninguém desconhece o caos em que se encontra a Saúde aqui na cidade. É sabido que assim vem acontecendo na maioria dos municípios brasileiros. Mas aqui a cidade está com uma epidemia de dengue, além dos outros problemas comuns em todos os demais municípios do Brasil. 

Um exemplo disso foram as respostas dadas pelo Secretário Municipal da Saúde, numa rádio local, aos seus entrevistadores. O conhecimento de todos os problemas na sua área deixou os que o ouviram simplesmente impressionados. Tinha a resposta, e sempre muito boa, para todas as perguntas. 

Então, conhecer todos os problemas não é a questão. A questão também não está em saber como resolver esses problemas públicos porque ouvindo qualquer um dos responsáveis eles sempre terão uma resposta no mínimo plausível. A solução está na falta de capacidade para resolver os problemas públicos. 

A incapacidade para resolver os problemas públicos nem sempre é causada pela incompetência daquele que exerce o cargo. Como é o caso na Saúde em Dourados. O atual secretário, como se viu, conhece os problemas – e talvez conheça também as soluções – mas está incapacitado de resolvê-los por conta daqueles que precisam dar-lhe condições para isso. 

Quer seja fazendo as licitações dos medicamentos antecipadamente; quer dotando-o de maiores recursos para sua pasta; como também, ter maior autonomia em sua secretaria para designar pessoas de sua confiança para os cargos estratégicos – o que parece estar lhe faltando. 

Outro exemplo, se não mais grave, mas muito maior para o país: na Folha de S.Paulo, na coluna de Cesar Benjamin leio que num teste aplicado em 338 mil alunos do quinto ano, em 350 municípios, espalhados por 25 estados brasileiros – uma amostra bem significativa como se vê – 50% (a metade) deles foram considerados analfabetos. 

“A formulação de explicações, a compreensão de objetos complexos no mundo contemporâneo implica o domínio pleno da leitura e da escrita, além de fundamentos de lógica que nos são transmitidos, principalmente, pela matemática”. 

Como diz Celso Benjamin: “Nenhuma sociedade poderá se manter à tona, no século 21, sem disseminar essas capacidades em suas populações. Isso exige que as crianças aprendam a ler, escrever e calcular, com proficiência, na idade adequada. É a base do que vem depois. Se isso não for obtido no tempo certo, toda a estrutura educacional do país permanecerá comprometida”. 

Como querermos um país melhor, ou pelo menos, igual aos melhores do mundo daqui a trinta anos se não conseguimos preparar nossos jovens hoje? 

As pesquisas mostram o quanto estamos errados com a educação de nossos jovens. Os governantes sabem da situação. Reconhecem os problemas, mas não os resolvem. E por quê? É a incapacidade. A maldita incapacidade; quer do próprio administrador público ou do andar de cima como costuma dizer Elio Gaspari. 

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