28/09/2009 08h19 – Atualizado em 28/09/2009 08h19
O apagão elétrico que deixou marcado o governo de Fernando Henrique Cardoso até hoje é lembrado não como um simples descuido, mas uma tremenda falha de planejamento.
Ainda hoje estamos pagando caro aquele terrível descuido porque dos cofres públicos saem milhões todos os meses para sustentar termoelétricas, tanto a gás, como a diesel que ficam de prontidão, dia e noite, prontas para cobrir qualquer falha nos linhões da Eletrobrás, ou mesmo, sobrecarga de consumo nas horas de pico.
Até mesmo no atual governo Lula o cuidado para que não haja falta de energia tem feito com que esta administração se arriscasse até a invadir os rios da Amazônia construindo não uma, mas três grandes usinas hidrelétricas, duas delas no Rio Madeira (Jirau e Santo Antonio) e uma no Rio Xingu (Belo Monte).
O que tem de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) sendo construídas no Brasil não é brincadeira. O susto daquele apagão no governo FHC influenciou a atual administração Lula que não se descuidou e, tudo leva a crer, não haverá falta de energia no Brasil nesses anos futuros. A preocupação com este assunto pelo atual governo é tão grande que os estudos estão bem adiantados para iniciar a construção de mais uma usina de energia atômica, a Angra 3.
Infelizmente, tanto no governo FHC como neste de Lula, a preocupação com as vias de transportes – também parte da infra-estrutura brasileira como a energia – não tiveram a mesma preocupação dos administradores. Quase nada se fez para ampliar ferrovias, hidrovias e nem mesmo as rodovias.
Nos últimos 20 anos o Brasil mais que duplicou sua produção industrial; triplicou a produção agrícola e os meios de transportes aumentaram pouco mais de 30%.
É simplesmente incompreensível que o país tenha um estado como Mato Grosso que nas duas últimas décadas aumentou sua produção de soja de 5 milhões de toneladas para 18 milhões. Sua produção de milho de 1 milhão de toneladas para 8 milhões. Seu rebanho bovino tenha se tornado o maior do Brasil e esteja transportando para o litoral brasileiro toda essa produção ainda pela mesma e precária estrada, de uma única via, construída pelo governo dos militares – melhor dizendo – pelo ministro Mário Andreazza na década de 70.
Nos governos anteriores a FHC foi iniciada a construção de uma ferrovia que ligaria o Mato Grosso ao estado de São Paulo e daí para o porto de Santos. Há mais de 12 anos, sua construção, está parada na cidade de Alto Taquari a 500 quilômetros de Cuiabá. É um verdadeiro milagre como toda aquela produção mato-grossense consiga sair de lá, em cima de caminhões e chegue ao porto.
Para se ver como o atual governo anda desligado da realidade no assunto transporte basta olhar o que ele vem fazendo – tudo, claro, para agradar os metalúrgicos – com a produção de automóveis. Isenção de impostos para estimular as vendas; financiamentos em até 80 meses e, com isso, está formado o maior engarrafamento automobilístico nacional. Estradas entupidas. São Paulo e as maiores cidades brasileiras simplesmente congestionadas por automóveis, mas não se vê novas estradas em construção.
Tudo indica que o problema do transporte será a herança maldita que esta administração irá deixar para o próximo presidente, mas seria bom ficar de olho, porque a continuar despejando tantos carros nas ruas e com uma grande safra a ser transportada, poderá acontecer nos transportes, ainda neste governo, o que seria lembrado como o apagão de Lula.
*Waldir Guerra é Membro da Academia Douradense de Letras (ADL), foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.


