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quarta-feira, 18 de março de 2026

Um convite a anormalidade

21/08/2009 14h30 – Atualizado em 21/08/2009 14h30

Ao ler as páginas de política dos jornais, me assustei com apenas uma frase estampada em uma das matérias: “A Casa vai normalizar”. Talvez tal afirmação não me preocupasse tanto se não tivesse partido do presidente do Senado José Sarney. Ele é acusado por muitas irregularidades, desde responsabilidade nos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome até a prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. No entanto, sem “porquês” convincentes, nesta semana, as 11 acusações foram simplesmente, arquivadas.

Justamente aí surge minha preocupação, com fato da ‘casa normalizar’. O que é o normal se o óbvio é de que o homem público deve representar a decência, ética e o respeito à vontade popular? Ficou claro que ‘o normal’ e o correto não foi o que aconteceu. Os senadores do Conselho de Ética (ética?) engavetaram, por nove votos a seis, todos os recursos contra Sarney. O presidente do Conselho, senador Paulo Duque, aliado de Sarney, alegou que todas as denúncias são baseadas em notícias de jornais e nenhum documento foi anexado para embasar a acusação. Nenhuma prova dentro de tantas evidências? Isso é normal?

Pelo que entendi normal na idéia de nossos senadores não é denunciar e se fazer cumprir a justiça, e sim, ‘abafar o caso’ com justificativas extremamente banais que tentam subestimar a inteligência de nós, brasileiros. O Brasil não merece ser testemunha desta vergonha afinal, os senadores ultrapassaram todos os limites que nós, homens de bem, poderíamos aceitar.

Outro fato que, infelizmente, entrou para essa tal normalidade no Senado, são as opiniões divergentes dentro dos maiores partidos políticos do país. Todos os pedidos de investigação contra Sarney foram rejeitados com o apoio de senadores de PMDB, PTB, PT e PCdoB. Revoltados, alguns chegaram a pedir a desfiliação de sua legenda por discordarem do consenso que ‘absolveu’ o nosso personagem normal. Neste momento acredito ser fundamental que a justiça dê uma nova perspectiva (troca de partidos), pois o partido é quem está sendo infiel ao seu programa, o parlamentar está apenas defendendo os seus ideais que nesse instante, são esquecidos pelo partido.

Se entrar na normalidade é deixar passar despercebido fatos e atitudes que prejudicam, de forma direta e indireta, a população, prefiro que o contrário seja defendido. Que sejamos todos anormais! Que se cumpra a justiça! Que todos colham aquilo que realmente plantam!

*MARQUINHOS TRAD

Deputado estadual

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