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quinta-feira, 19 de março de 2026

Deus age através do nosso desânimo

13/11/2007 17h16 – Atualizado em 13/11/2007 17h16

*Monsenhor Jonas Abib A vida espiritual nem sempre é movida pela fé permanente. Às vezes, também é permeada por securas, tempo de aridez, falta de gosto, solidão e desânimo. Nesses períodos, somos privados das consolações sensíveis e espirituais. Mesmo sem entender, isso favorece nosso crescimento na vida de oração e na prática das virtudes. Apesar de muitos esforços e de uma vida espiritual disciplinada, há momentos em que a pessoa não sente gosto na oração. Ao contrário, é como se Deus tivesse se esquecido de nós e o tempo parece não ter fim. Poderíamos dizer que a fé e a esperança estão adormecidas. A alma parece envolta numa espécie de torpor. É um tempo penoso, em que não se experimenta a alegria. Também nesse tempo, entretanto, Deus trabalha em nós. Jesus mesmo disse que o seu Pai continua trabalhando. Deus trabalha sempre a nosso favor e, como já dizia o apóstolo Paulo, “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”. Esse tempo de seca nos ajuda a desprender de tudo o que não proclama o senhorio de Jesus em nossas vidas, nos ensina e nos educa a buscar a Deus, por aquilo que Ele é e não por aquilo que Ele pode nos oferecer. Ajuda-nos a viver o abandono em Deus e a nEle nos perder. Elizabete da Trindade, grande mística carmelita, dizia: “É preciso deixar tudo para abraçar aquele que é Tudo”. A aridez espiritual ajuda na conquista da humildade, nos faz entender que tudo vem de Deus e em tudo dependemos dEle. O amor de Deus para conosco é puramente gratuito. Esse tempo penoso nos faz compreender que Ele é o Senhor dos dons e os distribui segundo a maneira que lhe apraz. Não somos nós que devemos ditar as ordens para Deus, Ele é o Senhor, Ele é Deus, Ele é livre e nós somos os seus servos. Assim, Deus nos purifica. Sofre-se muito, mas este é um sofrimento redentor. Aprendemos a servir a Deus sem gosto para fazê-lo. Aprendemos a buscá-lo em todos os momentos. Aprendemos que nossos olhos devem estar fixos nEle. Assim, Deus robustece a nossa fé, nos impele a não desistir na busca da prática do bem e nos ensina o caminho da constância como ocorreu com Santa Teresa, que durante anos teve dúvidas da presença de Jesus na Eucaristia e nem por isso deixou de fazer a adoração eucarística. A virtude é 10% de inspiração e 90% de transpiração. ♦ *Monsenhor Jonas Abib é Fundador da Comunidade Canção Nova e Presidente da Fundação João Paulo II. É autor de diversos livros, milhares de palestras em áudio e vídeo, viajando o Brasil e o mundo em encontros de evangelização. Acesse: wwww.padrejonas.com

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