27/08/2003 15h53 – Atualizado em 27/08/2003 15h53
Paulista de Buritama, Cilso Aparecido Tibúrcio, “Mestre Cilso”, 55, é daquelas pessoas que sempre está de bem com a vida. O talento com as mãos, é inerente de quem realmente é iluminado e nasceu para brilhar. Mas os atributos, em se tratando do Mestre Cilso, não param por aí. Ele é mais do que imaginar uma peça moldada em barro (argila), embelezar qualquer ambiente, é a essência da criatividade e versatilidade natural, dádiva de Deus.
Desde pequeno sabia que tinha dotes, graças ao incentivo recebido por um português, que lhe abriu os primeiros horizontes. Hoje, Mestre Cilso, faz escola. É um dos poucos privilegiados a viver da arte num Estado em que até bem pouco tempo, não havia despertado para esse mercado. A pecuária e a agricultura reinavam absolutos. Porém, o MS ainda cultiva forte tendência para o boi e para a soja, mas ao mesmo tempo, está crescendo vertiginosamente a consciência com a cultura e o respeito com o meio ambiente, numa combinação perfeita para galgar tópicos de destaques em todo o Mundo.
Agora MS– Como o senhor descobriu que tinha jeito para a arte?
Mestre Cilso-Desde pequeno eu gostava apreciar obras desenhadas. Mas não tinha certeza que um dia iria chegar nesse momento. Passado algum tempo, conheci um senhor Português, no momento não me recordo o nome, que me passou as primeiras noções. Foi a partir daí que percebi a importância e o desejo em exercitar e iniciar o trabalho com cerâmica. Em Dourados, foi sozinho em casa mesmo, após conhecer a dona Maria do Barro.
Agora MS– Como se define seu estilo de trabalho?
Mestre Cilso-Depende. Trabalho artístico, comercial, enfim, para exposições. É bastante relativo, de todo o modo, na realidade a gente procura atender o gosto do “freguês”. O importante é que estou super feliz com a minha profissão e faço votos para atrair mais jovens nessa caminhada. A arte em argila sinceramente preenche uma grande lacuna do meu coração. Hoje nos damos curso em todo o Brasil, sempre com boa receptividade.
Agora MS– Qual o tipo mais procurado, mais concorrido?
Mestre Cilso-Sem dúvida que a planteira – vasos para plantas – é a grande campeã. Mas têm outras igualmente bem aceitas também, com pouca menos intensidade é verdade em relação a essas peças.
Agora MS–Pelo jeito esse ambiente completa o senhor?
Mestre Cilso-Essa é a minha vida. É tudo que sei fazer. Passei por muitos apertos, até alcançar esse pouco destaque. Criei praticamente minha família, apesar das contrariedades do barro, mas valeu todo sacrifício. O tempo é realmente a melhor respostas.
Agora MS– Há quantos anos o senhor vive exclusivamente de fazer arte?
Mestre Cilso-Faz muito tempo. Atualmente com projetos de incentivo à cultura posso dizer que houve uma melhora acentuada. É bom, gratificante viver daquilo que você produz.
Agora MS– A argila que o senhor trabalha vem da onde?
Mestre Cilso-Do Parque das Nações e da Cerâmica do Edmur. Dois lugares de barro de excelente qualidade. Fico contente por poder trabalhar com matéria prima.
Agora MS– Seus filhos foram incentivados a trabalhar com arte?
Mestre Cilso-Todos os nossos filhos (casado com a professora Iracema Tibúrcio), Cilso Júnior, Evelin e o casal de gêmeos Silvia e Jonatan trabalharam comigo. Neste momento, só os gêmeos estão firmes nesse propósito.
Agora MS–O senhor se casou em Dourados? Em que ano?
Mestre Cilso-Em 1.972, na Igreja Imaculada da Conceição. Tenho um respeito muito grande por Dourados, não só porque me acolheu, mas sobretudo pela formação de minha família e da oportunidade de expansão através da nossa atividade.
Agora MS–O senhor expôs este ano no Festival de Inverno de Bonito?
Mestre Cilso-Levamos várias peças. Com boa procura por parte do público, a grande maioria formado por turistas vindos de todas as partes do Brasil e até de outros países. Foi ótimo. Estou enviando para os Estados Unidos três peças que farão parte da exposição de Humberto Espíndola.
Fonte: Agora MS