22/08/2003 08h28 – Atualizado em 22/08/2003 08h28
Muito se fala a respeito do temido câncer de mama. Mas, a verdade é que a maioria das mulheres conhece muito pouco o seu próprio corpo, que dirá algo sobre essa doença. É fato que, hoje, as campanhas têm sido cada vez mais elucidativas, abrindo os olhos e as mentes femininas para si mesmas e para essa triste realidade. No entanto, mais do que cultivar o medo de ser vítima desse mal, a mulher deve se munir de informação até os dentes e uma coragem de grosso calibre para, ao contrário do que se diz, não precisar enfrentar esse inimigo apenas com o peito aberto.
Os dados são alarmantes: o Ministério da Saúde estima que serão registrados algo em torno de 40 mil novos casos de câncer de mama, e, provavelmente, nove mil óbitos. Entretanto, o câncer de mama não escolhe suas vítimas apenas entre o sexo feminino, apesar da proporção de homens que têm a doença ser muito pequena em relação às mulheres – aproximadamente de um para cem casos. Apesar de qualquer mulher ter chance de desenvolvê-lo, há determinados grupos que apresentam maior probabilidade devido a alguns fatores de risco, como o histórico familiar e a faixa etária. “O aparecimento de câncer de mama em mulheres com menos de 35 anos é menor, se torna mais freqüente na faixa entre 40 e 60 anos. Mas o fator mais importante é a incidência dentro da família, principalmente se for na mãe ou numa irmã. Nesses casos o risco é aumentado em até três vezes”, revela a Dra. Lea Miriam Barbosa da Fonseca, chefe do serviço de medicina nuclear do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.
Outros fatores também relevantes são a menstruação precoce (antes dos 11 anos), a menopausa tardia (depois dos 55 anos), a nuliparidade (quem nunca engravidou) e a primeira gestação após os 30 anos. A respeito das pílulas anticoncepcionais e da polêmica reposição hormonal, a Dra. Lea informa que ainda não há estudos conclusivos da sua relação com o câncer de mama.
Para tentar reverter essa situação, não existe maior aliado da mulher do que ela mesma, já que o auto-exame das mamas ainda é a maneira mais simples e eficaz de se detectar alterações que possam significar algum risco. “O auto-exame é importante para a mulher conhecer suas mamas. E no caso de encontrar algum nódulo, ela deve procurar o médico para se submeter a exames mais precisos como a biópsia, a core-biópsia e a mamotomia cirúrgica”, informa o Dr. Carlos Ricardo Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia do Rio de Janeiro. Portanto, não custa nada inclui-lo aos cuidados básicos de beleza, aproveitando aqueles minutinhos em frente ao espelho para observar a cor e a textura da sua pele e, com a ponta dos dedos, apalpar os seios e as axilas, para verificar se há algo suspeito.
A importância disso pode ser comprovada ao sabermos que cerca de 80% dos tumores da mama são descobertos pela própria mulher se apalpando incidentalmente. Só que na maioria das vezes já é um pouco tarde e o tumor já está com dimensões consideráveis. “Atualmente, quando o câncer é descoberto logo no início, existe uma grande chance de cura. Mas, de qualquer modo, sempre há chances de sobrevida após o tratamento”, revela o Dr. Carlos Ricardo.
O tratamento clássico para o câncer de mama é a retirada da mama comprometida juntamente com os linfonodos regionais, que são os glânglios linfáticos da axila próxima à mama afetada. Em casos selecionados, os cirurgiões fazem apenas a retirada do quadrante da mama onde se localiza o tumor, e o esvaziamento cirúrgico da axila do mesmo lado. Mas a Dra. Lea Miriam – que concorre a um prêmio internacional por um trabalho sobre diagnóstico de câncer de mama, publicado no Journal of Experimental & Clinical Cancer Research – vem aplicando um método que faz com que essa mutilação seja evitada na maioria dos casos. “O processo inclui a injeção de isótopos radioativos, substância que se une à célula tumoral, no caso de ela existir efetivamente. Com esse tipo de procedimento, o cirurgião tem a possibilidade de localizar com mais precisão as áreas afetadas pelo tumor. Se o linfonodo sentinela, o primeiro glânglio atingido pelo tumor, estiver livre das células cancerígenas, os outros glânglios também estarão. Então, não há a necessidade do esvaziamento das axilas, feito antes em qualquer cirurgia deste tipo, que traz para a mulher além dos problemas psicológicos a difilcudade de mobilidade do braço”, diz a radiologista. No entanto, existem outros tratamentos que podem ser associados ou não ao cirúrgico, dependendo de cada caso, como a quimioterapia, a radioterapia, a hormonioterapia e a imunoterapia.
Outro drama enfrentado pelas mulheres que passam por isso é o medo de nunca mais poder engravidar. Mas os especialistas afirmam que tomando certos cuidados a gravidez pode acontecer sem problemas. “Para o bebê não tem risco nenhum. Agora, é aconselhável a mulher esperar pelo menos uns dois anos após o término do tratamento para engravidar”, afirma o Dr. Carlos Ricardo, acrescentando que no primeiro ano o acompanhamento deve ser trimestral e a partir do segundo, semestral. Cada vez mais contamos com novas estratégias para deter esse perverso inimigo, mas o importante nessa luta é não desanimar.
Para aprender a fazer o auto-exame das mamas o link apresenta uma animação passo a passo:
http://www.gineco.com.br/mama.htm
E para quem quer saber mais sobre o tema:
www.inca.org.br
www.sbm.com.br
Fonte: Ibest Saúde e Beleza por Marcella Brum