11/08/2003 14h51 – Atualizado em 11/08/2003 14h51
A equivocada idéia de que a operação para redução de estômago pode ser um método mágico para o emagrecimento rápido tem levado muitas mulheres a procurar especialistas no assunto, o que preocupa a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB).
Apesar dos alertas médicos de que o procedimento é indicado exclusivamente para pessoas que sofram de obesidade mórbida, ou seja, pessoas com muitos quilos acima do peso ideal e que sofrem risco de morte por causa disso, cresce o número de pessoas que querem ser operadas apenas por um resultado estético.
O presidente da SBCB Arthur Garrido Júnior, afirmou, em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que não há um dia em que ele não seja procurado por alguém que pretende emagrecer sem ser obeso. Geralmente mulheres, elas encaram o procedimento como uma solução mágica para ter corpo de modelo.
De acordo com o critério mundial, endossado pelo Ministério da Saúde, apenas indivíduos com índice de massa corpórea (IMC) igual ou acima de 40 podem se candidatar à cirurgia. Abre-se exceção apenas para aqueles com IMC igual 35 mas que sofram de pressão alta de difícil controle, artrose ou diabetes. Mas, nos consultórios, pessoas com IMC 28 querem ser operadas. Observe a tabela a seguir:
FÓRMULA: IMC = PESO / (ALTURA x ALTURA)
IMC abaixo de 18,5 = baixo peso
IMC de 18,5 a 25 = peso normal
IMC de 25 a 30 = pré-obesidade
IMC de 30 a 35 = obesidade grau 1
IMC de 35 a 40 = obesidade grau 2
IMC de 40 em diante = obesidade grau 3 (considerada grave)
O objetivo da cirurgia de redução de estômago, como enfatiza Garrido Júnior, é a melhora da qualidade de vida e condições de saúde do doente, não a aparência, solução de problemas emocionais, elevação de auto-imagem ou até salvação de casamento.
Se os objetivos da operação são distorcidos, corre-se o risco de sofrer uma grande decepção com os resultados e até mesmo de sofrer com complicações, como abertura das emendas feitas no estômago ou embolia pulmonar. Afinal, como qualquer procedimento de incisão médica, risco de morte nunca é descartado.
BALÃO INTRAGÁSTRICO:
Apesar de todos os revéses, a moda de reduzir o tamanho do estômago não é o único fator preocupante, há o balão intragástrico. Algo semelhante a uma bexiga de 500 mililitros de silicone é inserida no interior do estômago por um processo de endoscopia. A bola ocupa um dado espaço no órgão proporcionando uma constante sensação de fome saciada. Por isso, o paciente passa a ingerir menos alimentos e chega a perder até 15% do peso.
Mas, por ser um dispositivo provisório, que fica no organismo por no máximo seis meses, o balão precisa ser retirado para evitar lesões no estômago. A idéia é produzir uma reeducação alimentar e, quando o aparelho não estiver mais no estômago, o indivíduo conseguir manter a forma. No entanto, freqüentemente depois de dois ou três anos, volta-se ao peso anterior ao tratamento.
Há também o risco de o balão murchar podendo ir parar no intestino, provocando um entupimento. Nessa situação, uma operação se faz urgente. Segundo Garrido Júnior, este é um método útil como preparação para uma cirurgia de estômago, não um tratamento para pessoas perderem alguns quilinhos sem esforço.
O que os médicos tentam é conscientizar a população de que obesidade é uma doença e a operação é um tratamento específico para esta patologia. Para aqueles que buscam perder alguns quilos a fim de aprimorar a silhueta, a opção é mudança nos hábitos alimentares e prática de exercícios físicos. Não tem como fugir do suor e canseira. Essa é também a tarefa dos obesos mórbidos depois de operados.
Fonte: Portal Unimeds com informações de O Estado de São Paulo; Unimeds.com.br
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