13/06/2003 15h31 – Atualizado em 13/06/2003 15h31
No próximo dia 6 de julho, haverá uma nova frente de concorrência no mercado de telefonia. Quase todas as operadoras de celular das bandas A e B adotarão o modelo já usado pela Oi e pela TIM e permitirão que seus usuários escolham a empresa que vai completar as chamadas de longa distância (clique aqui e saiba mais sobre as novas regras). Para fazer DDD e DDI, os usuários terão de digitar o código da prestadora, como já é feito também na telefonia fixa. Muitas empresas de telefonia e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apostam em queda nos preços para os usuários, já que eles poderão escolher quem cobra mais barato. Mas o que cada um vai oferecer é, por enquanto, segredo absoluto.
Outra grande vantagem para o usuário de celular será a mudança nas áreas de tarifação. Ligações entre cidades com o mesmo DDD deixarão de ser consideradas interurbanas e serão cobradas como locais. O superintendente de serviços privados da Anatel, Jarbas Valente, explica que o número de áreas de tarifação cairá de 512 para 67. Essa nova regra valerá para chamadas entre celulares, de celulares para telefones fixos e de fixos para celulares. Nas ligações entre telefones fixos, a regra não mudará. Com as novas áreas, o volume de ligações DDD via celular, que representa 6,18% do total, cairá para 1,24%, diz Valente.
Todas essas mudanças foram possíveis porque a maior parte das operadoras migrou do Serviço Móvel Celular (SMC) para o Serviço Móvel Pessoal (SMP). Essa migração era necessária para que as operadoras fundissem empresas, caso da Vivo, ou migrassem para a tecnologia européia GSM, caso da Telecom Américas (dona da Tess, da ATL, da Americel, da Claro e da BCP Nordeste). Somente não farão parte das mudanças em 6 de julho a Telemig Celular, a CTBC Celular, a Amazônia Celular e a BCP de São Paulo. Segundo Valente, as quatro já informaram que vão migrar para o SMP, mas ainda não marcaram data.
Haverá duas formas básicas de fazer promoções para o consumidor na nova regra. A primeira são os preços nacionais que serão oferecidos pelas prestadoras de longa distância. Mas as operadoras de celular, na tentativa de serem reconhecidas como as de melhor preço, devem buscar parcerias e pacotes específicos com as operadoras de longa distância. A Oi, por exemplo, está junto com a Telemar na promoção que dá um minuto grátis para cada três pagos pelo cliente.
Para baratear o preço final, as operadoras podem, por exemplo, cobrar menos das prestadoras de longa distância pelo uso da rede ou não cobrar pela emissão conjunta da fatura. Na parceria, poderá haver também divisão dos custos de propaganda.
- A palavra-chave é parceria – resume o diretor de interconexão da Oi, Maxim Medvsdovsky.
As negociações de parcerias já estão na mesa. O diretor de atacado da Telemar, Marcelo Pereira, garante que a empresa já tem uma série de planos no gatilho. Ele não acredita em guerra de preços como houve no DDI entre Embratel e Intelig, mas afirma que haverá disputa, sim.
- A queda das tarifas é inevitável a médio e longo prazos. Já se viu isso no DDD e no DDI – afirma o gerente de marketing da Intelig, Alexandre Oliveira.
Segundo ele, antes do lançamento da Intelig, a Embratel cobrava R$ 1,32 pelo minuto de uma ligação para os EUA. Hoje o preço da Intelig é de R$ 0,61. A Intelig tem cerca de 25% do mercado de DDI na telefonia fixa, e, no mercado celular, quer 15% da longa distância internacional e 5% da longa distância nacional até o fim deste ano. A diretora de marketing da divisão Embratel Consumo, Bárbara Miranda, diz que a empresa aposta na força da marca junto ao cliente, mas não revela números.
A Vivo, união de empresas como Telefônica Celular e a Telesp Celular, tem um certo ceticismo e diz que o código de seleção de prestadora não causou redução de preços na telefonia fixa. Segundo o vice-presidente de regulamentação e relações institucionais da Vivo, Carlos de La Rosa, no caso do celular os preços hoje cobrados pelas prestadoras de longa distância (para os usuários da Oi e da TIM) são em média 10% maiores do que os das operadoras (das bandas A e B).
Mas ninguém pode saber, como reconhece De La Rosa, o que acontecerá com os preços quando a concorrência na longa distância celular começar. Um levantamento feito nos sites de algumas operadoras mostra os preços cobrados hoje – vale lembrar que uma comparação exata é difícil, porque cada empresa tem seus planos e suas formas de tarifação.
O GloboNews.com fez uma pesquisa sobre o valor do minuto para uma chamada do Rio para São Paulo, em horário normal de tarifação, incluindo os impostos. A tarifa da Embratel para o usuário do sistema pós-pago da Oi é de R$ 1,548, valor que sobe para R$ 3,0143 no pré-pago. Do cliente da TIM, a Embratel cobra R$ 1,0399 no pós-pago e R$ 1,2689 no pré-pago. A tarifa da Intelig para Oi e TIM é de R$ 1,34136 o minuto. A Telemar tem um preço de R$ 1,548 para ligações feitas por celulares pós-pagos para linhas fixas. O valor é de R$ 1,54 no caso do pré-pago. A Vivo, que forma seu próprio preço e escolhe a prestadora de longa distância, cobra R$ 1,60 do usuário do plano básico pós-pago do Rio e R$ 1,80 do cliente do plano Dia pré-pago, que dá desconto no horário comercial. Nos planos básicos da ATL, o minuto custa R$ 1,56 no sistema pós-pago e R$ 1,65 no pré-pago.
As operadoras das bandas A e B hoje ficam com a maior parte da receita das ligações de longa distância. Pereira diz que em uma chamada de um celular de São Paulo para o Rio, menos de 10% da receita ficam com a prestadora de DDD. O executivo acredita que, com o novo sistema, a “parte do leão” continuará com a operadora de celular. Não deverá haver ganho de margem por minuto para as empresas. A margem poderá até ficar mais apertada. Mas quem conseguir mais clientes ganhará com o volume. Medvsdovsky também acha que não haverá muita mudança na divisão de receitas. Ele lembra, no entanto, que as empresas de celular poderão focar seu negócio principal e deixar a longa distância para quem entende mais disso.
De acordo com um levantamento da Telemar, as ligações de longa distância via celular movimentam R$ 230 milhões por ano no Brasil. A Telemar reclama do atraso no lançamento do novo sistema, que originalmente estava previsto para janeiro, passou para 1º de junho e finalmente foi remarcado para 6 de julho. Motivo: a cada mês de atraso, R$ 20 milhões estão deixando de ser disputados pelas prestadoras de longa distância.
As ligações internacionais têm um grande potencial. O superintendente da Anatel conta que as chamadas DDI representam 0,5% das ligações originadas em celulares. Segundo Valente, a tarifa deve ter uma queda significativa e chegar perto do valor cobrado pelo DDI na telefonia fixa. A Intelig estima que, dos 20 bilhões de minutos do tráfego celular em 2002, 13% foram de DDD e DDI. O gerente da Intelig citou um estudo do Yankee Group mostrando que 93% das ligações de longa distância via celular foram DDD em celulares pós-pagos, 5% foram DDD de pré-pagos e 2%, DDI, a maioria de pós-pagos.