08/01/2003 16h52 – Atualizado em 08/01/2003 16h52
WEST LAFAYETTE, EUA – Um casal de cientistas da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, descobriu que o relógio biológico é uma proteína de dois lados, que diz às células quando devem crescer e quando devem descansar.
A descoberta, se confirmada, pode ajudar pessoas cujos relógios internos são prejudicados por fusos horários ou por problemas de saúde.
A proteína de dois lados, em forma de cilindro, foi recriada em laboratório e alterada pelos cientistas para confirmar sua função. Ela dirige um crescimento de 12 minutos e ciclos de descanso nas células vivas.
“Um document.write Chr(39)rostodocument.write Chr(39) cuida do aumento celular. Então, a proteína vira-se bruscamente, permitindo que o segundo document.write Chr(39)rostodocument.write Chr(39) realize outras atividades enquanto o aumento celular descansa”, disse James Morre, químico medicinal da Escola de Farmácia de Purdue.
O especialista pesquisa as origens dos relógios biológicos desde seus tempos de estudante, há 40 anos.
A sincronização precisa da proteína e sua ligação com o relógio biológico de organismos vivos foi testada através da alteração de versões clonadas para produzir ciclos entre 22 e 42 minutos.
“Agora temos uma oportunidade de dizer como os organismos ordenam o tempo”, afirmou Dorothy Morre, professora de alimentação e nutrição em Purdue.
“Isso poderia nos dar novas perspectivas sobre a atividade celular, como a síntese do colesterol, respiração, ritmo cardíaco, resposta às drogas, sono, vigília”, enumerou.
Zerando o relógio
Imaginava-se que o relógio biológico do corpo, também chamado de ritmo circadiano, tivesse origens hormonais e, por fim, múltiplas fontes genéticas – o mecanismo natural chegou a ser tenuamente relacionado a ciclos da Lua e a manchas solares.
O mecanismo parece semelhante em todos os organismos, guiando as plantas para abrir as folhas ou os animais para iniciarem seu ciclo matinal.
A pesquisa do casal, que foi publicada na revista Biochemistry, teve patrocínio da Nasa, do Instituto Nacional de Saúde e do Centro Botânico de Purdue.
O mecanismo de troca da proteína é difícil de ser observado porque ela está constantemente em movimento e não foi cristalizada para que se possa ter uma visão mais de perto, segundo James Morre.
A perspectiva de acelerar ou reduzir o ritmo do relógio biológico do corpo pode não ser possível, mas seria possível reiniciar o relógio, disse o pesquisador.
“Essa descoberta também dá uma oportunidade melhorar nossos métodos de arrumar o relógio, minimizando os efeitos do fuso horário ou corrigindo distúrbios do sono”, acrescentou.
“Podemos até ser capazes de desenvolver ambientes artificiais simples para ajustar o relógio a fim de ajudar astronautas e aqueles que vivem perto do Círculo Polar Ártico, quando os ciclos de dia e noite deixam de existir por longos períodos”.
Fonte: Reuters