07/01/2003 10h52 – Atualizado em 07/01/2003 10h52
Cerca de 1 milhão de pessoas são atingidas pela paralisação de hoje de parte do sistema de ônibus de São Paulo.
Segundo o sindicato dos motoristas e cobradores, oito empresas mantêm a greve. Os passageiros mais atingidos são os moradores da zona leste.
De acordo com Edivaldo Santiago, presidente do sindicato, estão paradas as empresas São Miguel, São José, Itaim Paulista, Aricanduva Trólebus (zona leste), Pacto (zona sul), Serra Negra e Mar Azul (zona norte).
A categoria protesta contra o atraso no pagamento do salário de dezembro e reivindica as horas extras devidas.
Segundo Santiago, desde a meia-noite, 23 empresas pararam. Algumas voltaram a circular no decorrer da madrugada, após acordos firmados com empresários, que prometeram efetuar o pagamento ainda hoje. A viação Gatusa, por exemplo, já depositou o salário na conta dos funcionários.
“As negociações estão ocorrendo. Torcemos para que até o final do dia tudo dê certo”, disse o presidente do sindicato.
Para tentar minimizar os problemas, a SPTrans (São Paulo Transporte) implantou o Paese (Plano de Apoio às Empresas em Situação de Emergência) nas zonas norte e sul, com 200 ônibus.
Na zona leste, a mais atingida, a empresa montou uma linha bairro-a-bairro entre a praça Aleixo Monteiro Mafra, em São Miguel Paulista, e o parque D. Pedro.
Na avenida Ragueb Chohfi, zona leste, 22 ônibus das viações Cidade Tiradentes e América do Sul foram depredados. Segundo a SPTrans, as viações não fazem parte da greve e estão sob intervenção da prefeitura por não cumprirem cláusulas contratuais.
Santiago afirmou que o sindicato tentará identificar os autores. Ninguém ficou ferido.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), alguns veículos ocupam as faixas direita e central da avenida, sentido São Mateus, e atrapalham o trânsito no local.
Aumento
A prefeita Marta Suplicy (PT) anunciou, no final do ano passado, um reajuste de 21,42% na tarifa de ônibus.
A partir do próximo dia 12, a passagem passará de R$ 1,40 para R$ 1,70.
O reajuste será o segundo desde o início da gestão de Marta. O valor supera a inflação acumulada desde o último aumento, de 21,74%, que aconteceu em maio de 2001 _quando a tarifa pulou de R$ 1,15 para R$ 1,40.
O índice da inflação acumulado no período é de 13,79%, segundo a Fipe, e de 18,38%, de acordo com o Dieese.
A prefeitura alegou que o reajuste foi causado pelo crescimento dos insumos do setor, como óleo diesel e lubrificantes, que sofreram aumentos desde maio de 2001 de 64,51% e 54,33%, respectivamente.
Metrô
O metrô opera normalmente nesta manhã. Ontem, os metroviários ameaçaram entrar em greve e desistiram do movimento após audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
A categoria reivindicava o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Na audiência, o Metrô (Companhia do Metropolitano) se comprometeu a pagar a PLR acrescido de 1% de juros mais correção monetária a contar do dia 30 de dezembro. O pagamento deverá ser efetuado no próximo dia 27.
Também ficou acertado que o adicional de 10% do risco de vida será pago na folha complementar do próximo dia 15.
Cerca de 2,5 milhões de pessoas são transportadas diariamente no metrô.
Fonte: Folha Online