30/12/2002 14h18 – Atualizado em 30/12/2002 14h18
Pesquisas sugerem que realizar tarefas comuns pode retardar o desenvolvimento do mal de Alzheimer. Um novo estudo feito com moradores de Chicago demonstrou que as pessoas que participam de atividades intelectualmente estimulantes, como ler, ouvir rádio e jogar jogos, como damas e cartas, são menos propensas a apresentar a doença.
Resultados similares foram obtidos em um estudo com freiras católicas, mas a nova pesquisa incluiu voluntários selecionados aleatoriamente entre a população geral. No estudo, a equipe de Robert S. Wilson, do Centro Rush para o mal de Alzheimer, em Chicago (Illinois), nos EUA, observou 842 negros e brancos com média de idade de 76 anos. Todos se saíram bem nos testes de memória no início do estudo. Os pesquisadores observaram os pacientes durante quatro anos.
Os cientistas descobriram que o grupo que participou de atividades que representavam desafios mentais apresentou um risco menor para Alzheimer do que o grupo que raramente se envolveu em atividades desse tipo. A participação em outros tipos de atividades – como exercícios físicos – pareceu não afetar o risco para a doença. “Em média, uma pessoa com pouca atividade cognitiva se mostrou duas vezes mais propensa à doença do que os voluntários com atividade frequente”, informaram os autores à revista Neurology.
Os pesquisadores avaliaram sete atividades comuns, como assistir televisão, ouvir rádio, ler jornais, revistas e livros, jogar cartas, damas, palavras-cruzadas ou quebra-cabeça e ir a museus. O tempo gasto em cada atividade foi medido em uma escala de cinco pontos, com o menor nível de atividade (“1”) correspondendo à participação em uma atividade uma vez por ano ou menos e o maior (“5”) para atividades diárias ou participação “quase diária”.
As atividades físicas incluíram caminhar, correr, jardinagem, dançar, jogar golfe, boliche, ciclismo e natação. Os pesquisadores verificaram que o risco para Alzheimer diminuiu em 64% para cada aumento de um ponto na escala de participação quando houve atividades de estímulo intelectual. Durante o estudo, 139 pessoas desenvolveram a doença. Os pesquisadores consideraram outros fatores que influenciaram o risco para doença de Alzheimer, incluindo determinados genes, idade e escolaridade.
Eles alertaram que é possível que um pequeno grupo de voluntários já estivesse nos estágios iniciais da doença e poderia ter alterado as atividades em consequência dela.
Fonte: Reuters