30/12/2002 09h35 – Atualizado em 30/12/2002 09h35
PALO ALTO, Estados Unidos – Graças a uma paciente, a enfermeira Beckie Osburn encontrou, na Internet, o que necessitava para ajudar seu filho, já adulto, a conseguir um remédio de que necessitava, mas pelo qual não podia pagar.
“Sempre tive plano de saúde para mim e nunca precisei me preocupar com medicamentos”, disse Osburn, uma enfermeira de oncologia que trabalha na cidade de Santa Cruz, na Califórnia, e que estava ajudando seu filho a pagar pelos remédios de que necessitava, até que ficou sabendo do “NeedyMeds.com”.
Muitos pacientes utilizam a Internet para encontrar informações sobre tratamentos de saúde, mas poucos sabem que sites como http://www.NeedyMeds.com ajudam milhões de pessoas nos Estados Unidos a obter remédios gratuitamente ou a preços baixos.
O NeedyMeds é um site gratuito que foi lançado em 1997, graças aos esforços de um assistente social e de um médico.
O site oferece informação atualizada de 177 programas de remédios patrocinados por farmacêuticas que podem ajudar os pacientes que moram nos Estados Unidos a obter medicamentos gratuitamente ou a preços baixos.
Agora, Osburn e seu filho, de 25 anos, estão no processo de conseguir acesso a remédios de baixo custo através de um dos dois programas de assistência ao paciente do laboratório GlaxoSmithKline Plc., http://www.ipp.gsk.com/.
O remédio de que o filho de Osburn necessita custa 98 dólares por 20 pílulas, que duram cerca de uma semana. No programa do laboratório, custaria entre cinco e 10 dólares por uma quantidade que duraria 90 dias.
E, Osburn também está utilizando os recursos do NeedyMeds para ajudar seu sogro a obter os caros medicamentos de que necessita.
Sem plano de saúde
Atualmente, o filho de Osburn está desempregado. Sua esposa trabalha, mas ganha muito pouco para financiar os 800 dólares por mês que custaria um plano de saúde, que nos Estados Unidos, na maioria das vezes, também fornece remédios a um custo mais baixo.
Além disso, o jovem não cumpre os requisitos que exige o Medi-Cal, o plano de saúde do estado da Califórnia para incapacitados, idosos e pessoas com baixa renda.
A possibilidade de uma pessoa participar dos programas atuais dos laboratórios depende de sua situação financeira, de quantas pessoas vivem em sua casa, de sua renda e dos gastos médicos.
Os laboratórios também pedem que um médico, enfermeiro ou auxiliar de enfermagem atuem como representante do paciente.
Os pacientes devem entrar em contato com seu respectivos programa cada vez que necessitem de um remédio e seus representantes devem telefonar para a farmácia antes de solicitar outras doses do medicamento.
“Eles não querem que você venda o remédio”, explicou Osburn.
Ampliação e divulgação
Quase todo laboratório farmacêutico possui um tipo de programa de assistência ao paciente, também conhecido como “programa de assistência de receitas médicas” ou “programa ao paciente carente”.
Centenas de medicamentos estão disponíveis através desses programas, entre eles o Xeloda e o Gemzar, para quimioterapia, o Accutane, para o tratamento da acne; o antibiótico Cipro e um remédio contra a impotência sexual masculina, Viagra.
Os laboratórios não fazem propaganda desses programas e muitos médicos não sabem de suas existências. Por isso, muitos paciente acabam não recebendo os medicamentos que precisam.
Os trâmites para se participar desses programas parecem ser difíceis, sobretudo pela obrigação de se inscrever com cada fornecedor toda vez que se precisa de um remédio.
No entanto, cada vez mais pessoas estão usando esses programas como uma maneira de adquirir os remédios que não poderiam custear de outra maneira.
O grupo que reúne os principais laboratórios dos Estados Unidos, o Pharmaceutical Research and Manufacturers of America, conhecido como PhRMA, estima que, neste ano, seus membros forneceram medicamentos mediante recebimento de 14,1 milhões de receitas médicas com um valor, no atacado, de 2,3 bilhões de dólares, através de seus programas de ajuda aos pacientes.
Para começar
O próprio site do PhRMA, http://www.phrma.org/pap/, inclui uma relação de programas de assistência ao paciente realizado por seus membros, como a Pfizer Inc., a Bristol-Myers Squibb, e a Wyeth.
As pessoas que recebem o chamado Medicare, o plano de saúde patrocinado pelo Governo norte-americano para aposentados e descapacitados, podem começar visitando a página http://www.medicare.gov/Prescription/home.asp.
Esse site permite aos usuários realizar buscas de remédios por regiões, além de conter links para páginas patrocinadas pela Fundação Norte-americana para a Pesquisa da Aids, www.amfar.org, e pelo próprio PhRMA.
O site do grupo United Network for Organ Sharing (Rede Unida para a Doação de Órgãos), com sede em Richmond, estado de Virginia, http://www.unos.org, oferece informação sobre programas de assistência para remédios necessários após transplantes, que têm um custo bastante elevado.
No entanto, mesmo com o apoio do PhRMA e de seus membros, esses programas não são a solução para os problemas de obtenção de remédios nos Estados Unidos.
“Embora esses programas de ajuda ao paciente sejam essenciais, não substituem o acesso do público a remédios indispensáveis, que deveriam ter um baixo custo, especialmente para os aposentados”, afirma o PhRMA, em seu site.
Fonte: Reuters