23/12/2002 17h22 – Atualizado em 23/12/2002 17h22
O Ministério Público, a Defensoria Pública do Maranhão e a entidade civil Centro de Justiça Global denunciaram o governo do Estado à ONU (Organização das Nações Unidas) pela demora na apuração de uma denúncia de tortura de presos ocorrida no dia 24 de novembro.
Segundo o promotor José Cláudio Cabral, pelo menos 65 detentos da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, sofreram sessões de espancamento após uma tentativa de fuga. O inquérito instaurado pela Gerência da Segurança Pública para apurar o caso ainda não foi concluído.
“O batalhão de choque da PM foi acionado para evitar a fuga dos presos do pavilhão B. Depois de controlada a situação, os presos tiveram de tirar as roupas e ir para o pátio. No caminho, passaram por uma espécie de corredor polonês, onde receberam socos, pontapés e golpes de cassetete. Até agora, ninguém foi punido”, disse Cabral.
De acordo com o promotor, os presos do pavilhão C também foram torturados depois de protestarem contra os maus-tratos sofridos pelos colegas. “A direção alegou ter perdido o controle sobre os policiais.”
O pai de um dos agredidos denunciou a tortura ao Ministério Público. Uma comissão esteve no local dois dias após o ocorrido. “Os presos foram submetidos a exames de corpo delito, fotografados e filmados. Está tudo documentado”, afirmou a coordenadora do Núcleo de Execuções Penais da Defensoria Pública, Eulália Silva Bezerra,
Procurado hoje por telefone, o gerente da Segurança Pública, Raimundo Cutrim, não foi localizado.
Fonte: Agência Folha


