25/11/2002 10h35 – Atualizado em 25/11/2002 10h35
A indústria começa a se recuperar, sobretudo os setores de bens de consumo não-duráveis, em grande parte devido ao dinheiro injetado na economia por conta da correção do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn.
Goldfajn ressaltou, no entanto, que não document.write Chr(39)document.write Chr(39)há nenhum document.write Chr(39)boomdocument.write Chr(39) [no lado da demanda]document.write Chr(39)document.write Chr(39) e que document.write Chr(39)document.write Chr(39)não estamos num mundo de excesso de comprasdocument.write Chr(39)document.write Chr(39).
O diretor do BC não quis fazer associações entre a demanda e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), tomada na semana passada, de elevar os juros básicos da economia de 21% ao ano para 22%.
Até o dia 15 deste mês, de acordo com a CEF (Caixa Econômica Federal), o governo havia pago R$ 6,6 bilhões a trabalhadores com direito à reposição das perdas provocadas pelos planos econômicos Verão e Collor 1.
Segundo Goldfajn, parcela significativa da correção do FGTS foi sacada por pessoas de renda mais baixa, que costumam gastar quando têm dinheiro nas mãos.
document.write Chr(39)document.write Chr(39)Já estamos vendo isso, eles [as pessoas de renda mais baixa] estão consumindo mais. Estamos vendo que a venda de bens de consumo não-duráveis [como alimentos e produtos de baixo valor unitário] têm crescido. Os estoques têm caído, o que tem levado a indústria a consumir [encomendar] mais”, disse o diretor do BC à reportagem.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o emprego na indústria teve pequena recuperação em setembro, depois de três meses consecutivos de queda. Houve um aumento de 1,3% no número de postos de trabalho em relação a agosto.
O nível de emprego acompanha a produção. A indústria contrata mais para atender maior procura por seus produtos.
Juros e Copom
Goldfajn argumentou que os motivos que levaram o BC a apertar ainda mais a política monetária serão conhecidos na quarta-feira, com a divulgação da ata da reunião do Copom.
Mas, se a demanda ainda está fraca, por que então o BC aumentou os juros? A análise de Goldfajn sobre o nível da atividade econômica reforça a tese, defendida por muitos economistas, de que a decisão do Copom não foi para tentar frear a elevação de preços, mas sim para reduzir as expectativas inflacionárias.
Neste mês, pela primeira vez desde que o sistema de metas para a inflação foi implantado, em meados de 1999, as projeções do mercado financeiro para o aumento de preços no ano subsequente são maiores do que as para o ano corrente.
No levantamento feito pelo BC com bancos divulgado na segunda semana deste mês, a média das expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2002 ficou em 8,76%. Para 2003, foi de 9%.
Na opinião do diretor do banco Itaú Sérgio Werlang, que ocupou o mesmo cargo que Goldfajn no BC, o aumento de juros foi claramente para conter as expectativas inflacionárias.
document.write Chr(39)document.write Chr(39)Eles [a diretoria colegiada do BC, que forma o Copom] estavam olhando para as expectativas [de inflação], que subiram muito. Claramente o que está acontecendo é que há incerteza sobre quem será o próximo presidente do BC e qual a meta [de inflação] a ser seguidadocument.write Chr(39)document.write Chr(39), disse.
Segundo Werlang, document.write Chr(39)document.write Chr(39)as expectativas de inflação não estão tão ancoradas como estavam antes ao sistema de metasdocument.write Chr(39)document.write Chr(39). Ou seja, por não se saber quem comandará o BC nem de que forma se dará o combate à inflação, as instituições financeiras passaram a duvidar da eficácia do sistema de metas.
Para reduzir a desconfiança em relação ao cumprimento da meta em 2003, o BC teria, então, elevado os juros.
Quando a crença de que a inflação subirá começa a se propagar, os agentes da economia antecipam reajustes de preços. Ou seja, o medo de inflação se transforma em elevação de preços.
A ação do BC de aumentar os juros pode ser vista como medida preventiva para evitar que as expectativas de inflação mais alta se alastrem pela economia.
Fonte: Folha Online