22/10/2002 10h41 – Atualizado em 22/10/2002 10h41
O governo brasileiro vai uniformizar a metodologia do teste de nitrofurano, um antibiótico proibido no país desde maio deste ano, e que no entanto foi detectado na carne de frango brasileiro exportado para países da União Européia.
Essa decisão foi anunciada em Bruxelas pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, após um encontro, na segunda-feira, com o diretor-geral da Divisão de Saúde e Defesa da Comissão Européia, Robert Coleman.
Para cumprir essa promessa e evitar novos problemas para as exportações de frango, o Ministério da Agricultura e Abastecimento terá que credenciar laboratórios, importar equipamentos e acompanhar a cadeia de produção para descobrir onde está o problema e se livrar do teste a que 100% das cargas brasileiras são submetidas.
“Como o nitrofurano é proibido no País e as empresas não estão mais usando o nitrofurano, precisamos monitorar a cadeia de produção e implementar um plano de ação para unificar a metodologia dos testes”, afirmou Oliveira. “Só assim conseguiremos detectar onde está o problema”, ressaltou.
Depois do encontro realizado em Bruxelas, o Brasil desistiu de conseguir a revisão rápida da nova regra adotada pela Comissão, em vigor desde o dia 12 de outubro, de testar toda a carne de frango brasileira. Antes, o teste era aplicado em uma amostragem de apenas 3% da carga.
Com objetivo de retomar a normalidade dos desembarques na Europa, o governo brasileiro chegou a fazer uma proposta de suspender os registros de exportação das três empresas – Perdigão, Coopervale e Penasul -, cujas cargas tiveram o nitrofurano detectado. Uma proposta que, a princípio, partiu dos próprios europeus.
Mas, agora, a Comissão garantiu ao governo brasileiro que os testes só serão suspensos depois que se comprovar a inexistência de nitrofurano na carga brasileira.
Estariam sendo processadas mais notificações de nitrofurano no frango brasileiro, parado nos portos da Alemanha, referentes às mesmas empresas, além das 18 feitas até agora, entre abril e julho, segundo Luiz Carlos de Oliveira.
As advertências de Bruxelas ao governo brasileiro começaram em abril, com a detecção de nitrofurano em seis lotes, dois na Inglaterra e o restante na Holanda.
“Só em julho foram oito notificações: dia 9, dois lotes desembarcados na Holanda, dia 25, 3 lotes, e dia 26, mais 4 lotes, todos desembarcados na Alemanha”, afirma uma fonte comunitária.
O secretário Luiz Carlos de Oliveira foi chamado de emergência a Bruxelas para participar da reunião de segunda-feira na sede da Comissão Européia.
Oliveira estava em Londres, na última sexta-feira, quando se preparava para regressar ao Brasil, depois de uma missão de dez dias na Índia, onde foi negociar um acordo de cooperação e integração nas áreas de segurança alimentar e tecnologias para álcool carburante.
A balança comercial brasileira com a Índia foi deficitária em 2001. O Brasil exportou US$ 285,278 milhões e importou US$ 542,808 milhões. Este ano, entretanto, as vendas brasileiras para a Índia cresceram 82%, umas das maiores taxas de crescimento na balança comercial do País.
O Brasil vende para a Índia petróleo bruto, automóveis, algodão bruto, amianto e açúcar, e quer agora vender frango, sucos e cereais. E compra da Índia, principalmente, óleo diesel, fios de poliester e vacinas para medicina humana.
Fonte: Agência Lusa