Órgãos estaduais e federais advertem para a escassez de medicamentos como anestésicos para intubação em um momento em que o número de confirmações cresce exponencialmente na cidade

O crescente número de contaminações por Covid-19 em Três Lagoas, atualmente com 397 casos confirmados da doença e oito óbitos, fez órgãos como o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual emitirem mais uma nota de preocupação em relação à situação da saúde na cidade.

De acordo com o alerta, a preocupação vai desde a “aceleração de pessoas infectadas até a escassez de anestésicos” para manter os pacientes intubados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), fato que pode gerar aumento de mortes. Nesta segunda-feira (13), membros do Comitê Anticrise se reúnem para reavaliar medidas contra a doença.

Em documento assinado na última sexta-feira (10), representantes das três instituições recorrem a números para exemplificar a progressão de novos diagnósticos de Covid-19 no município. “Até 01 de junho, Três Lagoas tinha apenas 147 casos positivos de Covid-19, mas na primeira quinzena de junho tivemos mais 38 casos novos e na segunda quinzena de junho mais 104 casos novos… Só nos 10 primeiros dias de julho, já tivemos mais 96 casos novos e, ainda, faltam 5 dias para terminar a primeira quinzena de julho, demostrando que a doença cresce ainda mais”, destacam.

Em outro trecho da nota, eles apontam a dilatação do prazo para que os resultados dos testes RT-PCR enviados ao Laboratório de Campo Grande sejam concluídos: antes, demoravam 48 horas; agora, consomem em torno de sete dias.

No último dia 10, havia 242 testes pendentes de resultado no laboratório. Outro fator que preocupa as instituições é a ausência de testagem periódica por RT-PCR dos profissionais de saúde, tanto do serviço público, quanto do privado.

O atraso na entrega dos resultados é decorrente da sobrecarga do Lacen, segundo o Governo Estadual. Por isso, desde o dia 17 de junho, o Governo do Estado firmou convênio com o Instituto Butantan, em São Paulo, pedindo ajuda para a leitura dos exames.

Preocupação com leitos

Os Ministérios Públicos chamam atenção para o crescimento da taxa de ocupação dos leitos, tanto de enfermaria quanto de UTIs, com probabilidade de colapso caso o número de casos continue crescendo de forma vertiginosa.

Por fim, a nota reforça a importância da ampla adesão da sociedade às regras sanitárias – como uso obrigatório de máscaras em locais públicos e privados, inclusive nas ruas. “Evite ao máximo sair de casa e, se sair, use sempre máscara. Não faça qualquer tipo de aglomeração, mesmo em casa com familiares e vizinhos. Lembre-se que a doença MATA! Seja solidário e responsável, proteja o próximo e quem você ama”, finalizam.

A primeira nota conjunta dirigida à população de Três Lagoas foi elaborada no dia 3 de maio deste ano e demonstrava evidente preocupação com o déficit de leitos e respiradores no sistema de saúde local. O sinal vermelho foi acompanhado de uma radiografia das estruturas disponibilizadas à época pelo Poder Público para atender à microrregião que abrange outros quatro municípios além de Três Lagoas.

Acesse aqui a íntegra da nota de Três Lagoas.

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