23/10/2002 16h21 – Atualizado em 23/10/2002 16h21
Em meio ao crescente clima de medo provocado pelo assassino em série, o franco-atirador de Washington e a polícia transformaram-se nas novas estrelas da tevê americana. Minutos depois de se divulgar que o atirador fez nova vítima, milhões de telespectadores nos Estados Unidos – e em todo o mundo – passam a acompanhar ao vivo a movimentação de dezenas de policiais, fazendo revistas no local do crime, e de pessoas assustadas em busca de refúgio.
Helicópteros, com câmeras de tevê, circulam sobre as principais rodovias e as tevês transmitem ao vivo as buscas da polícia e mostram como vans são controladas – suspeita-se que o atirador use uma delas, de cor branca ou creme. Desde que os crimes começaram, no início do mês, praticamente não há outro assunto para as grandes redes de tevê e emissoras locais. CNN, Fox News e MSNBC informam com destaque “como se caça o assassino” e os programas especiais dão as maiores audiências do ano.
Especialistas em comunicação já falam em novo tipo de “tevê-realidade”, no qual a polícia e o franco-atirador são participantes. O chefe da operação policial, Charles Moose, no início não gostou da forma como as tevês especulavam sobre o assunto, mas depois mudou de posição. Ele agora lê as mensagens do franco-atirador em entrevistas à imprensa e pede à mídia que as divulgue. O sistema parece funcionar, porque o atirador reagiu quase imediatamente aos contatos. Mas o criminoso também parece usar a mídia para se divertir ou para brincar com ela e com o medo que provoca na população.
Fonte: Jornal da Tarde




