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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bebê de útero transplantado document.write Chr(39)nascerá em três

04/07/2003 10h39 – Atualizado em 04/07/2003 10h39

Cientistas acreditam que o primeiro bebê gerado em um útero que foi transplantado poderá nascer dentro de três anos.

Experimentos realizados com cobaias já haviam provado que são falsos os temores de que úteros transplantados não pudessem ser usados para gerar bebês saudáveis.

Segundo um especialista sueco nesse tipo de transplante, o doutor Mats Brannstrom, o melhor candidato a doador desse tipo de órgão é a própria mãe do paciente. Ou seja: uma mulher poderia gerar seu filho no mesmo útero em que foi gerada.

O mesmo especialista disse que, tecnicamente, seria até possível, no futuro, transplantar um útero para um homem e usar injeções de hormônio para fazer a gravidez dar certo.

Pedidos de ajuda:

Mas o transplante de útero tem o potencial de provocar grande polêmica, uma vez que ele seria o primeiro a ser feito sem a preocupação de salvar a vida do paciente em questão.

Brannstrom, em um trabalho apresentado no encontro anual da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, realizado em Madri nesta terça-feira, disse ter recebido um grande número de pedidos de ajuda de mulheres.

Os pedidos começaram depois que o cientista revelou no ano passado ter transplantado, com sucesso, úteros em camundongos, e que esses úteros foram usados em gestações posteriores.

Há milhares de mulheres no mundo que têm ovários em perfeitas condições, mas não úteros. Algumas nasceram sem o órgão, outras o tiveram removido em decorrência de alguma emergência médica ou câncer.

Até pouco tempo, essas mulheres não tinham a perspectiva de gerar em seu corpo seu próprio filho, e só lhes restavam a opção de conseguir uma “barriga de aluguel” – o que é ilegal em muitos países.

A primeira tentativa de transplante de útero foi feita por médicos na Arábia Saudita, mas teve vida curta.

O órgão teve que ser removido menos de 100 dias depois, por causa de uma hemorragia que fez com que parte do tecido transplantado começasse a morrer. A paciente nem chegou a tentar uma gravidez com o órgão.

“Barriga de Aluguel”

O doutor Brannstrom acredita que o transplante de útero pode ser uma saída mais simples do que um contrato de “barriga de aluguel” com a mãe ou a irmã da paciente que quer ter um filho.

“Em muitos países, a ‘barriga de aluguel’ é ilegal – e, em outros, a pessoa que dá à luz é oficialmente reconhecida como a mãe”, disse.

“Além disso, é impossível controlar o estilo de vida da ‘mãe de aluguel’, mesmo se ela prometer não beber, ou fumar, ou tomar drogas durante a gravidez.”

Entretanto, qualquer grande cirurgia abdominal representa riscos significativos.

Outro fator de risco é o consumo de poderosas drogas para evitar a rejeição do tecido transplantado.

“Haverá um debate sobre a validade de tal transplante quando não existe benefício direto à saúde do paciente – embora, é claro, possa haver um benefício emocional, em termos de qualidade de vida”, disse à BBC Phil Dyer, presidente da Sociedade Britânica de Transplantes.

Fonte: BBC Brasil

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