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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Helicóptero da Petrobras começa a ser retirado do fundo do mar

07/07/2003 10h59 – Atualizado em 07/07/2003 10h59

MACAÉ – Começaram nesta segunda-feira as operações para resgatar o helicóptero da Petrobras que caiu neste sábado na Bacia de Campos. A aeronave está a 820 metros da superfície. Os corpos das cinco vítimas do acidente permanecem no Instituto Médico-Legal (IML) de Macaé. Segundo funcionários, parentes estiveram no IML durante a madrugada, mas ainda não há previsão para liberação dos corpos.

O corpo do piloto Claudio Belloni será cremado nesta terça-feira no Crematório de Vila Alpina, na zona leste de São Paulo. O corpo foi reconhecido por funcionários da BHS, proprietária do helicóptero onde viajavam cinco pessoas. O pai do piloto, identificado como Hélio, está em Macaé, mas, muito abalado, pediu para não fazer o reconhecimento do corpo do filho. Ele descansa na casa de um amigo da família. A demora para a cerimônia fúnebre deve-se a problemas burocráticos, já que a autorização para vítimas de acidentes costuma ser um pouco mais demorada. O corpo deve retornar à noite à capital paulista.

Já o corpo do co-piloto Marcos Miranda de Souza, 25 anos, será enterrado no fim da tarde no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, subúrbio do Rio. O pai de Marcos Miranda, Gregório Rodrigues de Souza, de 50 anos, também é piloto e trabalha na Bacia de Campos. Ele é funcionário da Líder Táxi Aéreo e atribuiu o acidente sofrido pelo filho a uma fatalidade. Gregório pretende continuar trabalhando na Bacia de Campos como piloto. Marcos era noivo desde outubro da estudante de arquitetura Vanessa Fernandes Bastos, de 23 anos.

O metalúrgico Eduardo José da Silva, tio do do técnico de eletricidade Juliano Alves da Silva, outra vítima do acidente, também considerou a morte do sobrinho uma fatalidade. Juliano também era noivo e tinha viajado na sexta-feira para Campos. Empregado da empresa Mycom, estava em seu primeiro emprego.

O resgate dos corpos começou às 13h deste domingo e durou menos de dez horas. O trabalho foi totalmente automatizado: os técnicos da Petrobras usaram um robô com braços mecânicos.

Esse tipo de operação é inédita no Brasil. Antes só havia sido empregada para o resgate de aeronaves submersas, sem vítimas e a até cem metros de profundidade. Normalmente, esses robôs são usados para a conexão de cabos de transporte de óleo entre os poços e as plataformas de produção.

O corpo do co-piloto foi o primeiro a ser retirado do helicóptero. A aeronave estava virada de cabeça para baixo, o que dificultou a operação. Após o resgate da primeira vítima, o trabalho ficou mais fácil. Foram retirados em seguida o comandante da aeronave, Cláudio Belloni; César Marques de Oliveira, empregado da Petrobras; Juliano Alves da Silva e o inglês Kenneth Ward, funcionários de empresas que prestam serviços à Petrobras. Os corpos foram colocados num cesto e içados para o navio Toisa Mariner, onde o helicóptero pousaria com os cinco ocupantes quando bateu no mastro e caiu no mar em chamas.

Peritos do Departamento de Aviação Civil (DAC) estiveram ontem a bordo do navio Toisa Mariner, contra o qual o helicóptero se chocou antes de cair no mar, mas não divulgaram detalhes das investigações. A Petrobras informou que ainda não é possível identificar as causas do acidente, que está sob investigação da Aeronáutica e da própria empresa.

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