07/07/2003 11h17 – Atualizado em 07/07/2003 11h17
BRASÍLIA – Preocupados com o ritmo das invasões no campo, os proprietários de terra, representados pela União Democrática Ruralista (UDR), vão se encontrar amanhã com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Correia. Os ruralistas também querem uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deverão fazer nesta segunda-feira o pedido à assessoria do Palácio do Planalto. O temor dos ruralistas é que novas invasões aconteçam.
Neste domingo, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, confirmou que Lula já tinha pedido para que fosse marcado um almoço com a bancada ruralista da Câmara, que reúne 176 deputados. Mas, no primeiro contato feito na semana passada, os ruralistas rejeitaram o convite.
— Agradecemos o convite, mas não é o momento para o encontro. Esperamos uma ação mais contundente e enérgica do governo com os disparates que estão acontecendo no campo — justificou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), coordenador da bancada.
Durante a semana, no STF, os conflitos no campo serão tema de outra reunião do presidente do Supremo. Na quarta-feira, um dia depois de receber os ruralista, Maurício Correia vai se encontrar com líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os sem-terra têm três pontos principais a discutir com Correia. Eles querem manifestar seu desejo por uma reforma agrária democrática, sem conflitos; pedir providências contra a segurança armada de fazendeiros; e reclamar de algumas decisões da Justiça. De acordo com o coordenador do MST em Brasília, João Paulo Rodrigues, muitas desapropriações do governo feitas para assentamento são embargadas por sentenças judiciais.
Em menos de 48 horas, neste fim de semana, um novo acampamento de sem-terra surgiu no Pontal do Paranapanema, no Oeste paulista. No sábado, centenas de famílias começaram a montar seus barracos às margens da Rodovia SP-20, na entrada de Marabá Paulista. Na tarde de ontem, o Movimento dos Sem Terra (MST) já contava 500 novas famílias instaladas na região, uma das principais áreas de tensão no campo. Até o fim do mês, o MST espera criar mais dois acampamentos para abrigar mais mil famílias, nas cidades de Rancharia e Presidente Venceslau. O novo acampamento é o quarto montado este ano pelo MST no Pontal. Outras 300 famílias estão em Rosana, 600 em Sandovalina e 3.454 na entrada de Presidente Epitácio. O total de trabalhadores sem-terra acampados na região é calculado em 20 mil.
— As pessoas descobriram que não conseguirão a terra se ficarem em casa esperando pelos cadastros que fizeram no Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) e no Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) — disse Laércio Barbosa, da direção regional do MST e coordenador do novo acampamento.
Para evitar novos episódios de violência no campo, a Polícia Federal vai continuar empregando apenas seu setor de inteligência no monitoramento das principais áreas de risco de conflito no campo. A ordem do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, é infiltrar agentes da PF em regiões onde existam milícias de produtores rurais e agrupamentos do MST para vigiar os grupos e coletar informações. O ministro acha que seria perigosa a presença ostensiva de policiais federais nessas áreas, porque poderia acirrar mais os ânimos e estimular a ocorrência de conflitos.



