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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Casa Branca: Informação sobre compra de urânio por Saddam era incorreta

08/07/2003 13h30 – Atualizado em 08/07/2003 13h30

WASHINGTON – A Casa Branca admitiu hoje pela primeira vez que o presidente George W. Bush confiou em informações incompletas e talvez imprecisas vindas de agências do serviço secreto dos EUA ao declarar, em seu discurso sobre o Estado da União, em janeiro passado, que o governo de Saddam Hussein tentou comprar urânio da África para construir armas nucleares. A declaração minou um dos principais argumentos usados por Bush e seus aliados para apoiar as acusações contra o Iraque.

A denúncia sobre aquisição de urânio deu um enorme sentido de urgência às afirmações da Casa Branca, de que era necessária uma ação militar rápida contra o Iraque, sem sequer aguardar novas inspeções do suposto arsenal proibido do país pela ONU.

A confissão foi feita um dia depois de a Casa Branca ter sido obrigada a responder denúncias feitas por um artigo publicado pelo jornal americano “New York Times” por Joseph C. Wilson, um ex-embaixador enviado ao Níger, Oeste da África, no ano pasado, para investigar denúncias da tentativa de compra de urânio. Ele relatou que os dados do serviço secreto eram fraudulentos, e alertou que funcionários da Casa Branca nunca o acessaram. “A informação não é detalhada ou específica o suficiente para que tenhamos certeza de que as tentativas foram de fato feitas”.

Na noite de segunda-feira, o jornal “Washington Post” citou uma fonte da Casa Branca, que teria declarado que “sabendo tudo que sabemos, a referência à tentativa de o Iraque comprar urânio da África não deveria ter sido incluída no discurso do Estado da União”. Alguns funcionários do governo manifestaram sentimentos semelhantes em entrevistas nas últimas semanas.

Indagado sobre o assunto antes de Bush partir para uma viagem à África, Ari Fleischer, o porta-voz da Casa Branca, disse:

  • Há zero, nada, nada de novo aqui. Já admitimos há muito que a informação sobre a tentativa de compra do Níger era incorreta.

Fonte: Agências Internacionais

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