08/07/2003 17h41 – Atualizado em 08/07/2003 17h41
A jovem estudante, Claudinéia Silva de Souza, de 18 anos de idade, continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas e seu estado de saúde ainda inspira cuidados especiais. Ela está com uma bala, calibre 22, alojada na nuca, na altura do início da coluna serviçal.
A jovem é uma das sete vítimas do tiroteio, ocorrido no início da madrugada de domingo, nas imediações da Boate Hangar. Ela se dirigia, naquela hora, com seu namorado, Diego Yamaguti, até a casa de um colega, onde uma turma de amigos tomava tereré, na rua Oscar Guimarães, em frente ao restaurante Seasons, a mais de 200 metros de distância da boate.
Segundo o namorado, logo que os dois chegaram, foram logo advertidos pelos colegas de que “havia tido uma tremenda confusão na rua e era para entrar rápido em casa”. Quando iam entrando, pelo corredor lateral e externo da residência, a jovem foi atingida pela bala de arma de fogo.
Na tarde desta terça-feira, 08, além de um grupo de amigos e colegas, que procuravam notícias do seu estado de saúde, Claudinéia foi visitada pelo pai, o eletricista Francisco Gonçalves de Souza (38), e pelo namorado.
“O que mais me deixa revoltado é que minha filha não participava da baderna, que estava acontecendo na rua e nunca se meteu em qualquer confusão”, disse o pai. Segundo ele, “é importante que a Polícia apure rapidamente o culpado ou os culpados de tudo isso e que a Justiça seja aplicada”. Souza informou que foi chamado pelo promotor Antônio Carlos Garcia de Oliveira, que lhe garantiu que tudo será devidamente esclarecido.
“Não podemos mais conviver com este tipo de coisas, em que nós e nossos filhos estamos sujeitos a sofrer as conseqüências de brigas de outras pessoas, que andam por aí armadas”, desabafou Souza, olhando sua filha no leito da UTI, através de uma janela de vidro.
Até a tarde desta terça-feira, além da Claudinéia, permanecia internado, mas em situações de menos gravidade, apenas Tiago Ferreira Martins Moreira. Uma outra vítima, com ferimentos nas costas, na perna e não mão esquerda, havia sido liberado do hospital e se dirigido ao 1º DP, por volta das 15h30, para buscar sua motocicleta, que ele disse ter abandonado no local, quando foi atingido. Antes da liberação da motocicleta, o titular do 1º DP, delegado Carlos Roberto Giacomelli, iria ouvir seu depoimento.
As investigações começaram logo que a Polícia Civil tomou conhecimento dos fatos e se intensificaram durante todo o dia de ontem. Todas as vítimas, exceto Claudinéia, que está ainda impossibilitada, foram ouvidas por Giacomelli e sua equipe de agentes do setor de Investigações.
PROTESTO
O pai de Claudinéia, Francisco Gonçalves de Souza disse a reportagem do Diário MS que não suporta de idéia de ver os criminosos que atingiram sua filha não serem punidos pela justiça. Dessa forma ele prometeu que vai organizar um abaixo assinado contra a falta de segurança que impera na cidade. Além disso, ele pretende convocar à comunidade para sair às ruas protestar contra os descaso das autoridades em relação à falta de segurança. “O abaixo assinado seria uma forma de sensibilizar e ao mesmo tempo cobrar das autoridades uma resposta para combater com rigor esse violência que está tomando conta de Três Lagoas”, finalizou.




