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terça-feira, 30 de junho de 2026

Lula diz que greve não atrapalha reforma

09/07/2003 11h09 – Atualizado em 09/07/2003 11h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encarou como um grande problema a greve dos servidores contra a reforma da Previdência, iniciada hoje em alguns estados e no Distrito Federal. “A greve é um direito universal”, afirmou o presidente, ao comentar se a paralisação dos servidores públicos atrapalharia a aprovação das reformas no Congresso Nacional. De acordo com Lula, o que atrapalharia o andamento das reformas era uma greve dos deputados. Os servidores querem a retirada da proposta de reforma da Previdência do Congresso Nacional.

O presidente participou na manhã de hoje da abertura da 35ª Francal – Feira da Indústria de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes. Em seu discurso, Lula deu indicações de que o governo não vai intervir no câmbio, ao responder as reclamações dos empresários do setor calçadista de que a desvalorização da meda norte-americana frente ao real prejudicam as exportações brasileiras. “Nem eu ou qualquer membro do governo pode decretar que o dólar vai ser “tanto”, mas trabalharemos para que ele encontre estabilidade e coloque nossos produtos com preços mais competitivos no exterior”, afirmou.

O presidente disse que gostaria de ter uma conversa sincera com os empresários da indústria de calçados e lembrar que no final do ano passado havia uma perspectiva sombria de trabalhar com a inflação de 40% para os 12 meses seguintes. “Hoje qualquer membro do governo pode vir a eventos como esse e dizer que o bicho papão da inflação está controlado, que vamos trabalhar com uma taxa de 7% ou até menos, dependo da nossa capacidade de manter as contas do governo, mais ou menos controladas”, afirmou. O presidente salientou no entanto que apesar de a inflação estar controlada, o Brasil precisa crescer, gerar empregos e riquezas.

O presidente destacou que é necessário abrir novos mercados para aumentar as exportações. “Devemos continuar competindo nos mercados europeu e americano, mas nós precisamos procurar outros espaços geográficos e econômicos em que a nossa qualidade possa ser demonstrada”.

O presidente Lula voltou a defender a integração dos países da América Latina, destacando o investimento em infra-estrutura e transporte que facilite um melhor acesso entre os países. O presidente lembrou que no próximo dia 8 de agosto, haverá uma reunião no Rio de Janeiro, coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Soacial (BNDES) e pelo instituto que financia a comunidade andina, o CAF – Corporación Andina de Fomento, com o objetivo de estabelecer os principais projetos de integração na América do Sul.

O presidente informou que ainda este ano viaja para o Oriente Médio e África. E no próximo ano estão previstas viagens para China, Índia e Rússia, “mercados altamente promissores”.

Lula disse aos empresários para verem o governo como um parceiro, onde o apoio e o diálogo sempre estarão presentes. “Não haverá momento ruim, não haverá momento delicado que a gente não possa sentar em torno da mesa e encontrar soluções para os problemas brasileiros, porque precisamos produzir, gerar riqueza, empresa, porque o nosso país precisa crescer com uma certa urgência”, destacou.

Em tom descontraído, o presidente afirmou que durante as viagens internacionais que fará vai procurar “vender” os sapatos brasileiros, com a intenção de contribuir para o aumento das exportações do setor. “Brinquei com o governador (Geraldo Alckmin) que nas viagens que farei vou pedir aos fotógrafos que tirem fotos dos meus sapatos. Vou mostrá-las aos presidentes dos outros países e tenho certeza que o meu (sapato) será muito mais bonito que o deles”, brincou.

Antes do discurso, durante visita aos estandes da Francal, Lula doou o par de calçados que utilizou na cerimônia de posse para o Museu do Sapato de Franca e recebeu em troca outro par semelhante.

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