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terça-feira, 30 de junho de 2026

Morte de siamesas comove o Irã

09/07/2003 09h47 – Atualizado em 09/07/2003 09h47

A morte das gêmeas siamesas Ladan e Laleh Bijani, de 29 anos, em uma cirurgia de alto risco em Cingapura, causou comoção no Irã, terra natal das duas irmãs.

O vice-presidente iraniano, Mohammad Ali Abtahi, disse que a morte das siamesas marca “um dia triste para o Irã”.

“A nação iraniana e muita gente em todo o mundo se voltava para o hospital esperando que as duas fossem salvas”, afirmou.

As duas gêmeas eram bastante conhecidas no país, e cresceram sob as atenções dos meios de comunicação iranianos.

Lágrimas:

Fatimah Khanoum, uma faxineira da capital iraniana, Teerã, disse que gostaria de poder ter ajudado as gêmeas de alguma forma.

“Elas eram como minhas filhas”, afirmou Fatimah, que começou a chorar quando ouviu a notícia da morte das gêmeas.

O governo se ofereceu na segunda-feira para pagar as despesas das duas irmãs, cuja família havia iniciado uma coleta de donativos.

Os jornais publicaram muitos artigos contando a história de Laleh e Ladan Bijani, que nasceram em uma família pobre de nove filhos em Firouzabad, no sul do Irã.

Elas eram admiradas por terem conseguido se formar em Direito e por desejarem um futuro melhor, separadas.

Riscos:

As cirurgias mais difíceis para a separação de siameses são aquelas em que os gêmeos são ligados pelo coração ou pelo cérebro.

O Great Ormond Street Hospital, em Londres, tem grande experiência em separar gêmeos, mas nunca realizou a cirurgia em siameses unidos pelo cérebro.

O grande problema para os cirurgiões nessa situação é garantir que a circulação sangüínea nos dois cérebros não seja interrompida em nenhum momento.

O cérebro tem uma estrutura muito delicada, e se a circulação é interrompida por mais de poucos segundos, é possível que ocorra lesão cerebral. A etapa seguinte é a morte.

Se a cirurgia de Ladan e Laleh Bijani tivesse sido bem sucedida, elas teriam sido as primeiras gêmeas unidas pelo cérebro separadas na idade adulta.

Esse tipo de cirurgia vem sendo realizado em crianças com sucesso desde 1952. O cérebro de crianças se recupera com maior facilidade.

Derrame:

A artéria envolvida, segundo o neurocirurgião Henry Marsh, é tão delicada que, se danificada, pode levar a um derrame fatal.

Médicos alemães examinaram as gêmeas iranianas em 1996, mas não quiseram fazer a cirurgia de separação por ser considerada de alto risco.

A equipe médica de Cingapura concordou em fazer a operação após exaustiva avaliação dos riscos e depois que as gêmeas passaram por longo período de aconselhamento.

Primeiramente, eles tentaram desviar a artéria para que ela levasse sangue a apenas um dos cérebros. O outro seria atendido por um vaso sanguíneo retirado da coxa da segunda gêmea.

Os cirurgiões conseguiram implantar esse vaso no cérebro, mas ele acabou obstruído, ameaçando o sucesso da operação.

Os médicos conseguiram desobstruir o vaso. As complicações surgiram quando o fluxo de sangue se tornou instável. Ambas as gêmeas perderam muito sangue durante a cirurgia, que durou 53 horas.

Os médicos tentaram salvar as gêmeas com transfusões de sangue de emergência. Mas uma hora depois da separação, Ladan morreu. Sua irmã, Laleh, morreu 90 minutos depois.

As chances de sobrevivência da cirurgia eram estimadas em 50% de possibilidade de sucesso.

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