11/07/2003 07h53 – Atualizado em 11/07/2003 07h53
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), alertou nesta quinta-feira para o perigo de um rompimento dos governadores com o governo federal, caso ocorram mudanças no texto das reformas tributária e da Previdência sem que eles sejam consultados. Apesar de mais calmo, depois de conversar com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, por telefone, ele condicionou o atual apoio dos estados às reformas a um entendimento amplo com os governadores.
- Estamos abertos a essas propostas de modificação, mas elas não podem ser tomadas nesse instante unilateralmente, sob o risco de rompermos com aquilo de mais importante que nós construímos até agora, que foi a confiança entre o governo federal e os governos de estado – disse Aécio.
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse nesta quinta que qualquer mudança na proposta de reforma da Previdência – como a da aposentadoria integral para todos os servidores -dependerá do aval dos governadores.
O governador de Minas reclamou que existem hoje muitos porta-vozes do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que os governadores estão sem saber qual foi o compromisso realmente assumido pelo governo ou quais são aquelas manifestações e pressões naturais que existem no Parlamento.
- Eu fui parlamentar por 16 anos e reconheço essas pressões, elas existem. Esse ou aquele segmento é mais susceptível à pressão, mas o que é fundamental para nós não é que essas pressões deixem de existir, elas existirão sempre, é que qualquer acordo formal por parte do governo federal passe por uma nova consulta aos governadores – afirmou.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os atuais governantes do país têm de ter consciência de que a questão previdenciária extrapola seus mandatos e que “os objetivos centrais da reforma devem ser mantidos”. Entre estes objetivos, Alckmin citou a justiça social, evitando que trabalhadores de menor renda banquem o sistema em favor daqueles que recebem salários maiores.
Ele disse também que é preciso evitar um crescimento explosivo do déficit previdenciário, o que poderia levar, no futuro, ao não pagamento desses benefícios.
- Garantir o pagamento de aposentadorias e pensões, esses são os grandes objetivos da reforma e acho que eles não podem ser abandonados. Temos que ter consciência de que esta é uma questão que extrapola nossos mandatos. Estamos falando do futuro e dentro de um sentimento de responsabilidade – disse o
governador paulista.
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), afirmou por meio de sua assessoria que pelo que sabe não há nenhum novo acordo em relação a reforma da Previdência. No entendimento de Requião, a questão ainda está no âmbito do debate e, portanto, sem propostas definitivas.
- O que há são quatro ou cinco propostas que o presidente ficou de discutir com os governadores- disse.
Requião se posicionou contra a proposta de manutenção da aposentadoria integral, mesmo que mantidas as exigências de tempo de idade e serviço.
- Em princípio não concordo com nenhuma aposentadoria diferenciada – respondeu.




