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terça-feira, 30 de junho de 2026

Homem é queimado vivo por traficantes no Rio de Janeiro

11/07/2003 10h28 – Atualizado em 11/07/2003 10h28

O pedreiro Luís Carlos Rosa do Nascimento, 22 anos, foi “julgado” e condenado à morte por traficantes do morro do Fubá, no bairro de Cascadura, zona norte do Rio, no fim da noite de ontem.

Suspeito de ter estuprado três meninas, Nascimento foi espancado e queimado vivo, segundo o depoimento de moradoras. Uma das meninas morava no morro do “Fubá” e as outras duas, no “asfalto”.

De acordo com relatos de vizinhos, primeiro um grupo de traficantes invadiu a casa da irmã do pedreiro, na subida do morro, à procura dele. Assustada, a mãe de Nascimento foi avisá-lo sobre o que estava acontecendo.

O pedreiro estava no culto de uma igreja evangélica no bairro e saiu de lá junto com a mãe. No caminho para casa, teria sido abordado pelos traficantes, sendo obrigado a acompanhá-los até o alto da favela.

No local, estava o traficante Carlinhos do Fubá, “gerente” do tráfico de drogas morro, que teria comandado o julgamento. Três supostas vítimas do pedreiro, uma delas uma menina de 7 anos, também estavam presentes.

Os criminosos providenciaram uma sessão de reconhecimento, que durou menos de dez minutos, em que as três meninas teriam confirmado que Nascimento foi o homem que as atacou. A sentença foi dada imediatamente pelo gerente do tráfico.

O pedreiro foi espancado pelos criminosos e arrastado por cerca de 300 metros até a entrada da favela. Ele foi então amarrado, colocado dentro de uma pilha de pneus e queimado em seguida.

Tudo isso aconteceu por volta das 23 horas de quarta-feira, numa rua movimentada do bairro de Cascadura, em frente a um terreno que pertence à Light (companhia de energia elétrica do Rio).

A polícia só foi avisada horas depois, quando Nascimento já estava morto. Seu corpo foi retirado do local e levado para o IML (Instituto Médico Legal).

A mãe do pedreiro, cujo nome não foi divulgado pela polícia, foi até a 28ª Delegacia de Polícia e disse, em seu depoimento, que seu filho não era criminoso. O delegado Ângelo Machado informou que não havia nenhuma denúncia de estupro registrada na delegacia.

Machado também disse que Nascimento não tinha antecedentes policiais. Segundo ele, havia apenas boatos de que algumas meninas da região teriam sido vítimas de estupro, mas nenhuma investigação estava sendo feita porque ninguém tinha prestado queixa na delegacia.

O delegado disse que vai investigar os autores do assassinato de Nascimento.

Fone: Folha de S.Paulo

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