22/07/2003 14h50 – Atualizado em 22/07/2003 14h50
Médicos de Cingapura separaram com sucesso nesta terça-feira duas meninas sul-coreanas que nasceram unidas pelas costas, há 4 meses. A cirurgia foi realizada no mesmo hospital em que, há duas semanas, as gêmeas iranianas Ladan e Laleh Bijan, de 29 anos, que eram unidas pela cabeça, morreram durante uma controversa operação para separá-las.
- As gêmeas sul-coreanas foram separadas com sucesso às 14h40m (3h40m em Brasília) – disse o porta-voz do Hospital Raffles, Prem Kumar Nair, em entrevista coletiva. – Os pais estão com as gêmeas e estão muito felizes.
Nair também relatou que a condição dos bebês é estável e que elas vão permanecer em terapia intensiva por 48 a 72 horas.
As irmãs Ji Hye e Sa Rang foram submetidas a uma cirurgia de cinco horas – metade do que se previa – no Hospital Raffles. A instituição ainda é marcada pela controvérsia em torno da tentativa de se separar as gêmeas iranianas, numa cirurgia sem precedentes. Elas morreram por que perderam muito sangue. Os cérebros das duas estavam mais unidos do que se imaginava, o que tornou a operação ainda mais complexa. Elas morreram menos de duas horas depois de separadas, após 52 horas na mesa de cirurgia. Na semana passada, o médico responsável reconheceu que tentar realizar a cirurgia de uma só vez, não em etapas, foi um erro.
A equipe que separou as meninas sul-coreanas – a um custo estimado em US$ 28,5 mil – foi chefiada por Yang Ching Yu, vice-diretor médico do hospital, e pelo neurocirurgião Keith Goh, que chefiou a cirurgia das gêmeas iranianas.
Ji Hye e Sa Rang nasceram unidas pela parte inferior das costas, em um ângulo que tornaria impossível para elas andar ou ficar de pé. A parte mais delicada da cirurgia foi a separação dos órgãos internos que haviam sofrido fusão na região anal.
- As meninas tinham que ser separadas nesse estágio porque, se esperássemos mais, elas desenvolveriam sérias deformidades no crânio e na espinha. Sem a separação, elas não poderiam andar normalmente nunca mais – disse Yang Ching Yu.
O obstetra e ginecologista Joan Thong Pao-Wen, que integrou a equipe, disse que “tudo correu suavemente” e elogiou:
- Foi tudo tão bonito!
Os pais das meninas estavam determinados a prosseguir desde que os médicos lhes disseram que as filhas tinham 85% de chance de sobreviver. Eles também foram encorajados pelas gêmeas iranianas, que conheceram no hospital antes da cirurgia mal-sucedida.
- As irmãs Bijani nos encorajaram e a nossos bebês. Choramos quando soubemos da notícia (que haviam morrido) – disse Min Seung-joon, pai das crianças.



