06/08/2003 08h24 – Atualizado em 06/08/2003 08h24
SÃO PAULO – A decisão do governo de reduzir temporariamente o IPI dos automóveis foi criticada nesta terça-feira pelo empresário Mário Bernardini, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A decisão, segundo ele, mostra que o governo cede a lobbies setoriais e, na prática, não fará diferença nas vendas de automóveis, pois o problema está na queda de renda do consumidor e no alto custo dos financiamentos.
- Isso mostra que quem chora mais, leva. O governo cedeu à pressão porque o setor tem um lobby forte e muita visibilidade. Vários setores demitiram muito mais, mas não fizeram o mesmo barulho na mídia – disse Bernardini, lembrando que alguns setores poderiam ser beneficiados com redução do imposto, como medicamentos e produtos da cesta básica, e a medida se mostraria mais eficaz.
O empresário disse que a demora do governo em adotar medidas que reativem a economia – com forte queda nos juros e redução dos compulsórios sobre os depósitos bancários – já causa um certo desconforto entre os industriais. Segundo ele, vários empresários antipetistas, que estavam calados até agora, já começam a se manifestar.
- O grosso dos empresários ainda tem esperanças, mas há um certo desconforto. A principal divergência das conversas entre governo e empresários é sobre o “timing” das mudanças. Alguns que estão no governo querem ganhar um diploma de bom comportamento do mercado financeiro, mas esse diploma não vale mais do que por um dia – contou.
Bernardini disse que o consolo da indústria é que a atual crise da economia brasileira foi totalmente induzida pelo Banco Central e, por isso, basta que ele tome as medidas necessárias para que a economia deslanche. Falta, segundo ele, que o Banco Central comece a trabalhar com dados futuros. Na avaliação de Bernardini, o Banco Central não trabalha com dados tão bons, pois não conseguiu antecipar o tamanho da crise que iria causar com os aumentos dos juros.
- O paciente agora está em fase crítica e precisa de medidas fortes. As medidas são justificáveis quando têm efeito em toda a atividade econômica. Adotar medidas pontuais é escolher vencedores e sacrificar o todo pela parte – afirmou o empresário, referindo-se à abertura política do país, que teve um longo período de transição para as eleições diretas.
O empresário Roberto Faldini disse que o estímulo dado ao setor automotivo é natural, mas defendeu que o governo dê incentivos também para a construção civil, que emprega em grande escala e precisa de estímulos imediatos.
- Pela capilaridade, o setor automotivo acaba irrigando outros setores, como autopeças, metalurgia e plásticos. Mas acredito que mais setores devam ser estimulados e que o governo adote as medidas que beneficiarão toda a economia, como a redução do compulsório e dos juros – afirmou.
Fonte: GloboNews


