06/08/2003 09h50 – Atualizado em 06/08/2003 09h50
O regime das águas, em 2003, no Pantanal caracterizou-se pelo contraste de cheia nos rios e severa estiagem no interior do Pantanal. O rio Paraguai, em Ladário-MS, registrou a maior cheia dos últimos seis anos, alagando extensas áreas de sua planície adjacente. No outro extremo, cerca de 55.000 km2 de terras localizadas nas sub-regiões do Nhecolândia, Paiaguás e Nabileque, encontram-se bastante secas.
O pesquisador da área de hidrologia da Embrapa Pantanal, Sérgio Galdino, informa que esse fenômeno foi causado pelas influências dos regimes pluviais e fluviais que o Pantanal está sujeito. “A influência fluvial, ocorre através das chuvas que caem principalmente nos planaltos adjacentes ao Pantanal, aumentando o volume da água dos rios dessas áreas, que vêm desaguar na planície pantaneira. Já a influência pluvial, caracteriza-se pelas chuvas que caem diretamente no Pantanal. Essa diferença foi o principal motivo pelo qual em algumas regiões do Pantanal, próximas as margens dos rios, ocorreram inundações e outras áreas encontram-se bastante secas”, explica o pesquisador.
Para Galdino, a cheia de 2003 no Rio Paraguai, responsável pela inundação de extensas áreas adjacentes as margens do rio no Pantanal está associada ao maior volume de chuvas ocorrido nas cabeceiras dos rios Paraguai, Cuiabá, São Lourenço e Piquiri, bem como ao aumento das enxurradas nas áreas drenadas por esses rios. “A partir de meados da década de 70, intensificou-se a remoção da vegetação nativa dos planaltos adjacentes ao Pantanal, para utilização dessas terras pela agropecuária. Na maioria dessas áreas não foram realizados manejos adequados de pastagens e de cultivos agrícolas, como soja, milho e outros. Outro agravante foi a pouca utilização de técnicas de conservação de solo, como por exemplo o terraceamento”, explicou Galdino.
Para a pesquisadora da área de climatologia da Embrapa Pantanal, Balbina Maria Araújo Soriano, a seca que castiga as sub-regiões Nhecolândia, Paiaguás e Nabileque é explicada pela redução do volume de chuvas, aliada as altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar. “O cenário de estiagem é preocupante e a situação esse ano está muito grave, em função tanto do histórico de poucas chuvas em anos anteriores quanto pelo volume de chuva que caiu diretamente nessas áreas no último período chuvoso, muito abaixo do previsto.
Na fazenda Nhumirim, propriedade da Embrapa Pantanal, localizada na sub-região da Nhecolândia, de outubro de 2002 a março de 2003, choveu 35% menos que o previsto”.
Até o mês de setembro, a situação da Nhecolândia, Paiaguás e Nabileque tende a se agravar, pois a previsão para a região Centro-Oeste, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é de que as chuvas deverão ficar dentro da média histórica, o que significa baixo volume de chuvas para os próximos meses.
Fonte: Dourados News




