31/12/2010 10h02 – Atualizado em 31/12/2010 10h02
Desde início de registros concretos, nunca essa situação havia ocorrido no esporte
R7
A quebra indiscriminada de recordes mundiais na natação em 2008 e 2009 e a proibição do uso de supermaiôs contendo poliuretano neste ano fizeram com que 2010 se tornasse a primeira temporada sem recordes mundiais na piscina longa (de 50 m) em pelo menos 60 anos.
Desde o início dos registros mais concretos sobre os tempos da natação, na década de 40, nunca um ano terminou sem que um recorde mundial de piscina longa tivesse sido quebrado.
Nesta temporada, melhorar os tempos anteriores se tornou uma tarefa muito difícil para os nadadores. Como a Fina (Federação Internacional de Natação) permitiu a utilização de maiôs tecnológicos em 2008 e 2009, fazer a melhor marca de todos os tempos passou a ser um feito quase impossível na natação mundial.
Os supermaiôs continham poliuretano, um material não têxtil, que não encharcava e flutuava na piscina, o que ajudava substancialmente os nadadores no desempenho. Com o fim dos trajes em 1º de janeiro deste ano e a permissão para o uso apenas de bermuda para os homens e macaquinho, ambos 100% têxteis, para as mulheres, ninguém conseguiu melhorar as marcas feitas em piscina longa por nadadores que utilizaram os objetos tecnológicos nas duas temporadas anteriores.
E por pouco nenhum nadador conseguia quebrar marcas mundiais nem sequer em piscina curta. Os únicos que conseguiram foram o norte-americano Ryan Lochte, nos 200 m e 400 m medley, e os revezamentos 4 x 200 m livre da Rússia (masculino) e da China (feminino), no Mundial de Piscina Curta de Dubai, disputado neste mês.
Embora os tempos no começo do século passado ainda fossem marcados à mão e as informações sobre as novas marcas não fossem tão bem divulgadas, há quem diga que 2010 é um ano único na história. O jornalista britânico Craig Lord, um dos maiores estatísticos da natação mundial, crê que esta temporada foi a primeira sem quebras de recordes na piscina longa desde a virada do século 19 para o século 20.
Outros acontecimentos poderiam ter atrapalhado o estabelecimento de recordes mundiais em demais anos, mas não foram tão fortes quanto os supermaiôs. Os programas de doping das seleções da Alemanha Oriental e da China, nas décadas de 80 e 90, respectivamente, dificultaram a aparição de tempos melhores nos anos subsequentes, mas em todas as temporadas pelo menos um recorde foi estabelecido em piscina longa.
A expectativa fica agora para novas marcas em 2011. A melhor chance ocorrerá no Mundial de Piscina Longa, que ocorre a cada dois anos e será disputado em Xangai, em julho.




