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Três Lagoas
quinta-feira, 14 de maio de 2026

Até 2030, o MS deve liderar produção nacional de celulose e consolidar protagonismo global do setor

Com investimentos bilionários, expansão industrial e reconhecimento internacional, Estado transforma o Vale da Celulose em um dos maiores polos florestais do mundo; análise do ex-secretário Jaime Verruck reforça os fatores estratégicos que impulsionaram o setor

O NASCIMENTO DE UM GIGANTE FLORESTAL

Até 2030, o MS deve liderar produção nacional de celulose e consolidar protagonismo global do setor

O que começou há pouco mais de 30 anos como um projeto florestal modesto na região de Três Lagoas se transformou em uma das maiores revoluções econômicas da história de Mato Grosso do Sul. A expansão da cadeia da celulose colocou o Estado no centro da indústria global do setor, consolidando o chamado “Vale da Celulose” como referência internacional em produtividade, sustentabilidade e atração de investimentos.

Os primeiros passos dessa transformação ocorreram ainda nos anos 1990, quando a Chanflora, divisão florestal da antiga Champion Papel e Celulose, iniciou os plantios de eucalipto no leste sul-mato-grossense. Naquele período, o projeto previa uma fábrica de papel de 500 mil toneladas voltada ao mercado do Mercosul, cenário muito distante da dimensão alcançada atualmente.

Até 2030, o MS deve liderar produção nacional de celulose e consolidar protagonismo global do setor

“O projeto inicial era uma fábrica de papel de 500 mil toneladas voltada para o Mercosul. Era impossível imaginar o tamanho que isso se tornaria. Naquele período, plantar 5 mil hectares de eucalipto em um ano era considerado um marco histórico. Hoje, somente a Suzano planta entre 70 e 80 mil hectares anuais”, relembra o engenheiro florestal Miguel Cadini, atual gerente de negócios florestais da Suzano.

EXPANSÃO INDUSTRIAL MUDA PERFIL ECONÔMICO DO ESTADO

Em menos de duas décadas, Mato Grosso do Sul atraiu algumas das maiores empresas globais do setor de base florestal. Atualmente, Três Lagoas concentra três linhas de produção de celulose — duas da Suzano e uma da Eldorado Brasil — enquanto Ribas do Rio Pardo abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, também pertencente à Suzano.

O avanço industrial segue em ritmo acelerado. Em Inocência, a multinacional chilena Arauco constrói o Projeto Sucuriú, com investimento estimado em R$ 25 bilhões e capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas anuais. Já a Bracell projeta uma nova unidade em Bataguassu, com previsão de produção de 2,8 milhões de toneladas por ano.

Somadas, as unidades atualmente em operação produzem cerca de 7,6 milhões de toneladas anuais de celulose.  Conforme relatório divulgado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil produziu 25,5 milhões de toneladas de celulose em 2024.

Com a entrada em funcionamento dos projetos da Arauco e da Bracell, Mato Grosso do Sul deverá atingir 13,9 milhões de toneladas por ano, tornando-se responsável, isoladamente, por mais de 50% de toda a produção nacional de celulose até 2030.

ANÁLISE DE JAIME VERRUCK REFORÇA VANTAGENS COMPETITIVAS

O crescimento acelerado do setor foi analisado pelo ex-secretário estadual da Semadesc, Jaime Verruck, que destacou os fatores estruturais responsáveis por posicionar Mato Grosso do Sul como protagonista mundial da celulose.

Até 2030, o MS deve liderar produção nacional de celulose e consolidar protagonismo global do setor

Segundo Verruck, “embora estados como Minas Gerais possuam tradição florestal consolidada, Mato Grosso do Sul conseguiu reunir um conjunto estratégico de vantagens competitivas que favoreceram a instalação de grandes empreendimentos industriais. Entre os principais diferenciais apontados estão a disponibilidade de terras planas, clima favorável, abundância hídrica, logística competitiva e a elevada produtividade do eucalipto cultivado no Estado, considerada uma das mais eficientes do planeta”.

O ex-secretário também enfatiza que políticas públicas voltadas à industrialização, segurança jurídica e incentivos à atração de investimentos internacionais foram determinantes para a consolidação do setor.

A partir dos anos 2000, esses fatores passaram a atrair grupos globais interessados em ampliar a produção voltada ao mercado externo, especialmente à China, principal compradora mundial de celulose.

IMPACTO ECONÔMICO E GERAÇÃO DE EMPREGOS

A consolidação da cadeia florestal alterou profundamente o perfil econômico de Mato Grosso do Sul. Além da industrialização, o setor impulsionou a geração de empregos diretos e indiretos em diferentes segmentos da economia.

A Eldorado Brasil mantém atualmente cerca de 5,8 mil colaboradores diretos e praticamente o dobro de trabalhadores indiretos. Já a Suzano reúne aproximadamente 9 mil profissionais, entre empregados próprios e terceirizados, nas operações de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

O efeito multiplicador da celulose também alcança setores como hotelaria, alimentação, transporte, oficinas mecânicas, postos de combustíveis e comércio regional, ampliando a circulação de renda nas cidades que integram o Vale da Celulose.

No setor florestal, os salários iniciais giram em torno de R$ 3,5 mil. Já na indústria, conforme dados do Observatório da Fiems, o salário nominal médio alcança R$ 6.967.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

O protagonismo sul-mato-grossense ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a ocupar posição estratégica no mercado internacional de celulose. Hoje, Mato Grosso do Sul é reconhecido não apenas pelo volume de produção, mas pela eficiência operacional, sustentabilidade ambiental e elevada competitividade industrial.

A trajetória iniciada com os primeiros hectares de eucalipto plantados em Três Lagoas transformou o Estado em um dos maiores players mundiais da indústria de base florestal. O que antes era visto como uma aposta silenciosa se converteu em uma engrenagem econômica bilionária, capaz de posicionar Mato Grosso do Sul como referência global da celulose.

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