Material apreendido inclui canetas emagrecedoras, anabolizantes, abortivos e medicamentos sem registro na Anvisa
Uma tonelada de medicamentos e produtos irregulares apreendidos em Mato Grosso do Sul teve destino final na manhã desta sexta-feira (19), em Dourados. Sob escolta da PRF (Polícia Rodoviária Federal), mais de 20 mil itens retirados de circulação pela Vigilância Sanitária Estadual foram destruídos em uma empresa licenciada para realizar esse tipo de procedimento, localizada às margens da BR-463.
A carga reúne medicamentos análogos de GLP-1 utilizados para emagrecimento, canetas emagrecedoras, peptídeos para fins estéticos, esteroides anabolizantes, medicamentos abortivos e outras substâncias sujeitas a controle especial. Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), o valor estimado dos produtos apreendidos ultrapassa R$ 15 milhões.
A reportagem acompanhou a incineração e conversou com uma fonte que que explicou os motivos que levaram à escolha de Dourados para a destruição do material.
Os produtos foram apreendidos principalmente no Centro de Triagem dos Correios, em Campo Grande, por onde passam praticamente todas as encomendas postadas no estado. “Conseguimos apreender mais de 20 mil itens irregulares, entre canetas emagrecedoras, anabolizantes, abortivos e outros medicamentos sujeitos a controle especial e de circulação ilícita”, explicou.
Embora as apreensões tenham ocorrido na Capital, a decisão foi trazer a carga para a região de fronteira – Dourados é considera uma cidade fronteiriça, devido à proximidade com o Paraguai.
“A ideia foi justamente fazer com que essa ação repercutisse aqui. Se da fronteira veio e da fronteira saiu para abastecer outras regiões do país, para a fronteira voltou para ser destruído. É uma forma de mostrar que essas mercadorias jamais deveriam ter deixado essa região”, afirmou a fonte para a reportagem.
Outro dado apurado pela reportagem que esteve na empresa acompanhando a destruição dos produtos, é a de que as investigações apontam que grande parte dos produtos tinha como destino estados da região Norte e Noroeste do Brasil, onde o comércio clandestino consegue alcançar valores muito superiores aos praticados na fronteira.
“Os infratores conseguem vender esses produtos por preços três a cinco vezes maiores do que os encontrados aqui. Por isso existe esse fluxo intenso de mercadorias saindo da fronteira para outras regiões do país”, destacou.
A destruição do material integra a operação Visa Protege, iniciada em fevereiro deste ano. Desde então, equipes da Vigilância Sanitária passaram a atuar diariamente nos centros de distribuição dos Correios, ampliando a fiscalização sobre encomendas oriundas da faixa de fronteira.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a operação representa uma das maiores ações do gênero já realizadas no país. Os produtos apreendidos eram comercializados fora dos canais autorizados, sem comprovação de origem, armazenamento adequado ou qualquer garantia sanitária.
Muitos deles eram ofertados em redes sociais, aplicativos de mensagens e marketplaces, o que dificulta a fiscalização e amplia os riscos para os consumidores.
Outro fator que levou a incineração para Dourados foi a estrutura disponível para o procedimento. São poucas as empresas em Mato Grosso do Sul que possuem todas as licenças ambientais e sanitárias necessárias para realizar a destruição de medicamentos.
“São poucas as empresas habilitadas para esse tipo de atividade. Aqui em Dourados existe uma estrutura licenciada e, além disso, a cidade está mais próxima da região de fronteira, que é justamente a principal origem dessas mercadorias”, disse.
“É uma incineração ambientalmente adequada. Os gases passam por sistemas de filtragem e há uma série de exigências técnicas e legais que precisam ser cumpridas para garantir a segurança ambiental”, afirmou.
A Vigilância Sanitária alerta que muitos dos produtos apreendidos sequer possuem autorização para comercialização em seus países de origem. Outros apresentam composição desconhecida, aumentando o risco de intoxicações, superdosagens e danos graves à saúde.
Para as autoridades sanitárias, a destruição da carga representa não apenas a retirada definitiva de produtos clandestinos do mercado, mas também uma mensagem de enfrentamento ao comércio ilegal que utiliza a região de fronteira como principal porta de entrada para abastecer diversas partes do Brasil.
(*) Ponta Porã News






